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portugal dos pequeninos

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«O futuro a Deus pertence»

João Gonçalves 14 Dez 13



«Assisti anteontem, com grande dedicação profissional, e grande paciência à entrevista do sr. primeiro-ministro à TSF e à TVI . E assisti também ao palratório das cabecinhas de serviço, que tentaram extrair um vestígio de sentido ao que tinha sido dito e redito pelo nosso adorado guia. Mas Pedro Passos Coelho, com o seu arzinho de menino que aprendeu bem a lição, não saiu da cartilha do costume  provavelmente para não se meter em mais sarilhos, daqueles que o PS gosta de rilhar no seu covil. Com a maior prudência não prometeu nada, não explicou nada e nem sequer previu fosse o que fosse. Ficou no quarto escuro da banalidade ou da irrelevância e levou o país com ele; nem uma luzinha, bruxuleante ou não, brilhou naquela deprimente melancolia. O PSD retirou deste estado semicomatoso que o homem estava calmo. Às perguntas substanciais Pedro Passos Coelho respondeu sempre que o futuro a Deus pertence. As decisões do Tribunal Constitucional pertencem a Deus, como o défice e a dívida, como o crescimento, como o programa cautelar, como a vida da gente que anda por aí sem vida. O Altíssimo, a seu tempo, resolverá  tudo e ele, um simples primeiro-ministro, não quer exceder as suas competências. Deixou, por exemplo, de “embirrar” com o Tribunal  Constitucional, coisa que sem dúvida o tribunal lhe agradece desvanecido. Não comentou a política do dr. Cavaco, ou  a ausência dela, para não tocar em tão alta e veneranda personagem. Até o comportamento errático da sra. Christine Lagarde não lhe mereceu mais do que o adjectivo moderado de “estranho”, como se a sra. aparecesse com um chapéu novo ou o desafiasse para um passeio a Sintra. Nem a pequena intriga partidária em que se criou conseguiu que ele acordasse para a realidade. Acha Rui Rio e o resto dos protestatários do partido um magnífico “activo” a não perder. E acha prematuro que se discutam agora as “listas” para a “Europa”. As relações dele com Paulo Portas são hoje um mar de rosas: nem Portas lhe tenciona criar o mais vago problema; nem ele a Portas. Principalmente, a propósito de algumas sinecuras sem consequência. Quanto ao resto, o primeiro-ministro pensa que este seu mandato consolidou as finanças, modernizou a economia e nos preparou para voos que espantarão o mundo. Existe, é claro, a difícil questão do desemprego e da miséria geral. Mas basta saber somar e subtrair, como assevera o dr. Medina Carreira: onde imaginava a Pátria que ele podia arranjar o dinheiro, senão nos bolsos de quem o tinha? E com certeza um dia destes desaparece: o futuro a Deus pertence.»

 

 

Vasco Pulido Valente, Público

Triste vitória

João Gonçalves 14 Dez 13

Segundo o Tribunal de Contas, o Estado uma vez mais falhou a sua própria reforma. A sua propriamente dita e a do chamado "Estado paralelo", esse maravilhoso universo de institutos, empresas públicas e equiparadas e, até, de bancos que continuam indemnes a prosseguir a sua nobre função de "centros de emprego" especiais. De dentro do Estado só avisto "tomadas de posse" e concursos, pressurosos ou atrasados, para cargos de direcção. O Tribunal explica: «o universo inicial estava sobreavaliado, originando uma meta de redução de 27%, a qual, na realidade, nunca será atingida, podendo alcançar-se no máximo 19%.» Mais. «A redução de estruturas e de cargos dirigentes preconizada pelo PREMAC por si só não assegura uma restruturação da administração central do Estado, configurando-se mais como um processo de fusão de organismos mantendo, de um forma geral, as mesmas competências e atribuições, distribuídas por um número inferior de estruturas.» Aparentemente quem manda apenas está interessado em "mobilizar" trabalhadores para o olho da rua - uma das conclusões da leitura do trabalho do TC é mesmo essa: "sobem" os dirigentes e "diminuem" os trabalhadores -, independentemeente do expediente utilizado, do que em "reformar" o Estado e seus derivados. O "ajustamento", ou seja, a remuneração dos trabalhadores investidos em funções públicas que permanecem no activo ou aposentados em escudos, apesar de formalmente em euros, é a única coisa alcançada como sublinhou gravemente o senhor PM na sua entrevista. Triste vitória.

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