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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A calma

João Gonçalves 12 Dez 13

Ainda não leu a carta do dr. Gaspar. Sensatamente preferia que o Doutor Cavaco solicitasse a fiscalização preventiva do Orçamento. Ignorou o périplo que a dra. Albuquerque e o senhor vice andaram a fazer pelos credores a nível dito político. Só aprecia funcionários deles. No não dito, ficou claro, uma vez mais, que as pessoas são instrumentais e  e meramente facultativas. O que importa é que, mesmo que elas não notem e não lhes diga respeito, há algures uma "economia a mexer" na sua cabeça. E, claro, já só lhe ocorre o próximo evento, o "programa cautelar" porque a dívida e a austeridade não perdoam. Quando for grande, quero ter aquela calma de morte. Boa noite e boa sorte.

Um acto único

João Gonçalves 12 Dez 13

 

A revista Time escolheu previsivelmente o Papa Francisco como a "figura do ano". Recentemente Francisco "surpreendeu" alguma esquerda com uma crítica severa ao capitalismo e às suas consequências económicas e sociais. Houve até quem achasse ter "inspirado" o Papa, por exemplo, a partir da Aula Magna em Lisboa. Mas quem acompanha a produção literária do Vaticano, pelo menos a deste e do último séculos, sabe que tem sido uma constante de diversas enclícas, e de outra documentação papal, a "denúncia" dos males da sociedade dita liberal e dita capitalista. O mesmo aconteceu enquanto houve, a leste, falsos amanhãs libertadores de carácter socialista ou comunista. Depois Francisco também "surpreendeu" porque, como bom latino-americano, não exibe a austeridade intelectual do seu predecessor e aprecia confundir-se com o "homem médio". Todavia, a "figura do ano" é muito mais Bento XVI do que Francisco. Em 1996, o então Cardeal Ratzinger explicava que "é necessária a oposição à ideologia banal que domina o mundo e que a Igreja pode ser moderna, precisamente quando é antimoderna, ao opor-se ao que todos dizem. À Igreja cabe um papel de contradição profética e tem de ter a coragem para isso. É precisamente a coragem da verdade que, na realidade, é a sua grande força." Em 2013, a renúncia de Bento XVI foi um acto único contra a "ideologia banal" que, entre outras coisas, faz as capas dos jornais e das revistas do mundo "espectacular" em que vivemos.

Escuto

João Gonçalves 12 Dez 13

 

Parece que mais logo os drs. Judite de Sousa e Baldaia, respectivamente da tvi e da tsf, vão entrevistar o senhor primeiro-ministro. O senhor primeiro-ministro deverá repetir as trivialidades do costume desde que decidiu substituir o programa do Governo por um evento intitulado "Governo: meta Junho 2014". Por isso, talvez fosse útil perguntar:

 

- o que é que o senhor PM ganhou, ou o país, com a "crise de Julho" e com a remoção dos ministros das finanças e da economia e a entrada do engº Moreira, do venerando e ausente Machete e do dr. Lima?

 

- o que é que o Governo ganhou politicamente com a demissão de Miguel Relvas e a entrada de Poiares Maduro quando o senhor PM se mantém alheio, como desde o início, da chamada coordenação política do Executivo aparentemente realizada agora em outsourcing pelos drs. Marco António e Marques Mendes, ou sempre que o senhor vice PM amua?

 

- o que é que o Governo ganhou, ou o país que a vai pagar, com a pífia reestruturação da RTP que não há meio de sair do seu eterno presente apenas porque sim?

 

- o que é que o senhor PM tem contra as pessoas "reais"  (ou contra as empresas "reais" sem ser as do PSI 20 em nome das quais V.Exa. apascenta a chamada "reforma do IRC") já que sem elas, ou com elas na penúria, de que lhe serve o putativo "regresso a mercado"? Tenciona persistir em pastorear abstracções e taxas de juro incomportáveis?

 

- que ideia faz o senhor PM da "reforma do Estado? Acredita mesmo que pode "reformar" o Estado em meses, numa legislatura ou duas, com base num papiro irrelevante e panfletário digno de um comício partidário na Trafaria?

 

- o que é que faz V. Exa. manter em funções o extraordinário prof. Crato já que, decerto, não é em nome da qualificação que o mantém? E como é que aprecia o desempenho do seu delegado na Cultura, um sector que, apesar de V. Exa. ainda não ter dado por isso, depende directa e politicamente de si?

 

- que providências está a tomar, ou mandou tomar, para um chamado programa cautelar que evite as trapalhadas consentidas da troika acerca das quais V. Exa. não consegue soltar um murmúrio de desaprovação ou de crítica a pensar no futuro próximo do país?

 

- que ideias tem sobre o futuro da Europa, e como tenciona intervir nesse ambiente,  agora que os sinais políticos germânicos são mais conformes ao "pensamento" político do seu Secretário de Estado dos Assuntos Europeus do que aos interesses dos países esforçados e esfolados do Sul?

 

- finalmente, V.Exa. já leu a carta de demissão do dr. Vítor Gaspar?

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