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portugal dos pequeninos

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Cada um em seu lado

João Gonçalves 11 Dez 13

 

Da última vez, em 2004, que a "direita" concorreu a umas eleições (também europeias) coligada, foi um desastre. Dias depois Durão Barroso trocava o governo da nação por Bruxelas e entregava-o a Santana Lopes o qual, por sua vez, o devolveu seis anos seguidos, e de mão beijada, a José Sócrates. Para além disto, o PSD acabou por perder eurodeputados para o CDS e não ganhou nada com o exercício. Pelo contrário, em 2009, com Paulo Rangel como cabeça de lista, o PSD sobrepôs-se ao então PS absoluto de Sócrates sem levar os epígonos do dr. Portas às cavalitas. Em Maio, altura em que se realizam as eleições europeias de 2014, o governo e a maioria serão indirectamente "referendados" como aconteceu já nas autárquicas de Setembro. Paulo Rangel não merece a desfeita de ser o principal rosto da coligação nesse "referendo" presumivelmente votado à humilhação. Imagino que só por maldade Passos Coelho o escolhe para encabeçar uma lista improvável com o CDS. O próprio CDS parece desconfortável porque não aceita o argumentário estúpido das "quotas", ou seja, da concessão de um terceiro lugar na lista a uma senhora azul e amarela. Para além disso, tem o seu "bom" primeiro nome na pessoa de Nuno Melo. O melhor é ir cada um para seu lado à semelhança, aliás, do que sucede no governo.

O "valterhugomãesismo"

João Gonçalves 11 Dez 13



«Vemos a cada dia que passa que os portugueses não sabem nada, ou praticamente nada, sobre o seu país. A ignorância histórica atinge as raias da obscenidade. Quando muito refastelamo-nos nuns ecos idiotas do tempo dos Descobrimentos, mal sabendo do que estamos a falar. Da Geografia, seja física, seja humana, ainda menos. Não conhecemos bem o território que habitamos, nem a relação da nossa vida com ele. Temos uma frequência sumariamente turística e petisqueira com alguns lugares mais promovidos. Da cultura portuguesa e no que toca às artes, fora este ou aquele monumento mais visitados ao domingo durante a volta dos tristes, somos de uma fúnebre obtusidade. Da língua, estamos falados. Não me refiro apenas ao desconhecimento da sua história. Sucessivas gerações ligadas ao ensino têm dado cabo dela e contribuído para o seu abastardamento. Práticas diárias na comunicação social coadjuvam essa torpeza. É estropiada por toda a gente em todas as áreas do quotidiano e do saber. Da Literatura, depois de décadas em que o ensino andou divorciado dela ou se dedicou a exercícios metodológicos que corresponderam ao seu assassínio progressivo, vivemos numa ignorância deprimente. Basta ler os jovens escritores que se candidatam a concursos literários (e tenho feito essa experiência por pertencer a vários júris). Eu apostaria, dobrado contra singelo, que, salvo muito raras, mas mesmo muito raras excepções, não têm qualquer experiência, por muito elementar que seja, da grande tradição literária da nossa língua e do património que a integra. Dá-me ideia de que é gente que leu algum autor dos últimos vinte anos, e pouco mais. Não aprenderam absolutamente nada com mais ninguém. Para trás do mínimo que leram, é como se a literatura portuguesa não existisse nem tivesse um cânone, não fosse lida por inútil ou desnecessária, e se encontrasse relegada para o baú das inutilidades no sótão das insignificâncias pátrias.»

 

Vasco Graça Moura, DN

 

Adenda: Por falar em "artes", faz hoje anos Manoel de Oliveira. Os brutos acham-no "parado", uma vulgaridade sem tom nem som. O ironista Manoel, no dia do seu aniversário, como se deve rir deles e da gente improvável que "toma conta" da cultura oficial, e oficiosa, inexistente. Parabéns.

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