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portugal dos pequeninos

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Negativos e positivos

João Gonçalves 9 Dez 13

 

Uma sms do SAPO news informa-me secamente que "a recessão acabou". Fui ver, como Augusto Gil foi ver a neve na horrorosa "balada" epónima. De facto, segundo o INE, o PIB no 3º trimestre cresceu 0,2% em relação ao trimestre anterior (comprinhas e tal) mas diminuiu cerca de 1% face ao homólogo de 2012. Digamos que os pontos "negativos" não foram tão "negativos" (no jargão, "um contributo negativo menos acentuado da procura interna", uma "diminuição menos significativa das Despesas de Consumo Final das Famílias Residentes" ou um "contributo positivo da procura interna que mais do que compensou o contributo negativo da procura externa líquida"). No campo das exportações, a semântica é idêntica: o contributo da procura externa líquida diminuiu, - cerca de 0,6% - em virtude da desaceleração das exportações de bens e serviços. Tudo visto e ponderado, "tecnicamente" há um recuo positivo (para não fugir do dito jargão) da recessão mas na soma dos "negativos" com os "positivos" aqueles prevalecem. Acresce que a simples entrada em vigor do orçamento para 2014 é, só por si, o maior sinal negativo que se pode dar à economia e aos consumos (público e privado) uma vez que todo ele está tricotado por forma a deprimir a primeira ea reprimir os segundos. Esta semana o primeiro-ministro desdobra-se em entrevistas porventura para "explicar" estas coisas aparentemente inexplicáveis. Os que o vão "aquecer" para o efeito têm muito trabalho entre mãos. Por uma vez é preciso que Passos Coelho não insista em que as pessoas comem o "regresso a mercado" como se fossse batatas fritas e que o Governo já não está a fazer mais nada até Junho de 2014 senão comportar-se como um supra-IGCP. Isto sobretudo após o sr. Draghi ter explicado com clareza que os bancos nacionais não devem sobrepor a compra de dívida pública interna à ajuda ao crescimento e ao investimento nas pessoas e nas empresas. Duvido que Passos tenha sequer um social-democrata por perto que o esclareça politicamente e fora do "financês" quase incompreensível em que ele aprecia enredar-se quando improvisa. E não é o circuito exterior da carne de vaca, do betão e dos "gold" da sua nemesis Portas que resolve um átomo dos problemas do chefe do Governo, agravados depois da "crise" de Julho que tudo mudou. Cada membro do seu Governo é, na realidade", "um" governo solipsista o que não o credita. As derradeiras infelicidades de Crato ou de Aguiar-Branco, a inexistência de Cristas ou de Moreira da Silva, por exemplo, abalam qualquer "confiança" política que as décimas do PIB possam tentar animar. É que Passos Coelho nunca esteve tão sozinho, nem tão aparentemente aconchegado, nesta sua gloriosa persistência em puxar a vida alheia para baixo em nome de duas ou três abstracções liberalóides. Mas, como ele não se cansa de recomendar à nação, cada um tem o que merece.

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