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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Uma ecologia tumultuosa

João Gonçalves 5 Dez 13

 

Por causa de uma "plataforma" que emergiu no PSD, Rui Rio voltou a ser falado para proto-sucessor de Passos na liderança do partido. O visado apressou-se a desmentir estar disposto a ser colocado numa "rampa de lançamento" que o coloque na Lapa. E as hostes de Passos, sublimemente representadas por esse monumento ao patético político que é sra. dra. Teresa Leal Coelho, reagiram a isto tudo com a tranquilidade que o poder confere: quem quiser que se "chegue à frente" e abandone o estatuto de "baronato", todos os "contributos" sáo bem vindos e o dr. Passos é famosamente recandidato ao seu próprio lugar. Desconfio que Rio nem sequer aparecerá no congresso previsivelmente albanês do princípio do ano. Rio perdeu o comboio da liderança do PSD por dois motivos pouco glorificantes. Desde logo porque é muito complicado, num país politicamente macrocéfalo, um dirigente regional ou local "crescer" para a nação. O fatal Menezes, por exemplo, experimentou isso na pele. Depois, Rio chegou a ser o eleito de um pequeníssimo círculo de algumas "elites" do PSD (porventura parte dos "barões" mencionados pela sra. dra. Leal Coelho), na casa de Ferreira Leite, ao Restelo, para concorrer ao lugar deixado melancolicamente vago por Menezes antes das eleições de 2009. Disse que sim mas quando chegou ao Porto telefonou a comunicar que, afinal, não podia. E avançou a antiga ministra das finanças. Rio é vaidoso e talvez as circunstâncias o façam mudar de ideias. Passos está de tal forma afunilado com a finalização do "programa de ajustamento" que, por essa altura, é provável que o país - e o Doutor Cavaco - se interrogue se será útil para mais qualquer outra coisa. Sobretudo se o primeiro semestre de 2014 se revelar desastroso e menos "milagreiro" do que os últimos meses. Precisamente à conta dessa obsessão austeritária mortífera "denunciada", aliás, na carta de Vítor Gaspar. Ninguém está interessado em regressar cadáver "a mercado". Aí o PSD, cuja ecologia é tumultuosa, tenderá a falar sem ser através da sra. dra. Leal Coelho. E melhor, com ou sem Rio, pode ser possível.

Um explicador para Crato

João Gonçalves 5 Dez 13

 

David Justino foi ministro da educação. Presentemente aconselha o Presidente da República. É professor. Tem bom senso. Não é suspeito. Nesta entrevista, sem o citar, acabou por dar uma "lição" ao incumbente da 5 de Outubro. O caos e a insegurança que Nuno Crato lançou abrupta e estupidamente no mundo da educação e do ensino superior, acabou por frustrar as expectativas que acompanharam a sua escolha. Curiosamente não vemos o primeiro-ministro muito preocupado com os danos que as trapalhadas do ilustre professor provocam num sector, o da qualificação, do qual depende também o famoso "futuro" que nunca sai do discurso único do "financês" que adoptou. Como se a educação, a cultura, a investigação e a formação superior fossem filhas de um deus menor que não cabem nas simplificações do "ajustamento". Mas não são, de facto. Crato anda à solta. E não lhe ocorre que já está a mais há demasiado tempo. Haja alguém que faça o favor de lhe explicar.

Perguntas pertinentes

João Gonçalves 5 Dez 13



«Só o tempo dirá se a empresa CTT renovada em 70% do seu capital accionista será um bom negócio para o país, não esquecendo que presta um serviço com uma forte componente social. Ocorrem-me, pelo menos, as seguintes perguntas para as quais ainda não são do domínio público as respostas:

- o que vai acontecer aos 30% do capital pertencente ao Estado.

- quem são os novos accionistas, são investidores de longo prazo (estratégicos?) ou são investidores especulativos.

- qual vai ser o quadro regulatório que o governo vai estabelecer para a prestação do serviço público essencial e universal que é o correio.

- como vai a empresa rendibilizar os activos de que dispõe.»


 

, Quarta República

«Uma ideia estúpida»

João Gonçalves 5 Dez 13

«A linha de fractura que divide a Europa pode ser resumida sobre aquilo que deveremos fazer com as regras do jogo da nossa União Económica e Monetária e com o papel do Banco Central Europeu. A Alemanha e os seus aliados querem que a UEM continue a ser o garante de um mercado comum onde as exportações circulam sem sobressaltos causados pela desvalorização de sistemas monetários nacionais, como os anteriores ao euro. Sem o euro, há muito que a moeda alemã se teria valorizado face à desvalorização das moedas europeias concorrentes, e os lucros das empresas germânicas seriam muito menores. A UEM significou que os países abdicaram da sua política monetária própria. Não temos um Banco de Portugal capaz de fazer financiamento monetário da economia (causando com isso uma inflação com intenção terapêutica, que alivia a pressão sobre a dívida), nem poder cambial para equilibrar a nossa balança comercial através do estímulo das nossas exportações e do desencorajamento das importações (pela perda do poder aquisitivo da nossa moeda sobre bens do exterior). Berlim acha natural que tudo o mais seja de responsabilidade exclusivamente nacional, desde os bancos doentes à dívida excessiva. Acha natural que o BCE não intervenha para sacudir os ataques especulativos sobre as obrigações dos Estados em dificuldade. O outro lado da Europa fracturada diz: "O que precisamos é de um BCE que o seja a sério, isto é, que controle a inflação mas que, com igual importância, defenda a economia e o emprego em toda a zona euro." A resposta de Berlim, tornada dogma pelo Governo de Lisboa, continua a ser: "Tornem-se mais competitivos pelo empobrecimento..." Pensar que as nações abdicam voluntariamente da soberania para empobrecer é uma ideia estúpida, mas continua a ser a ideia oficial de quem comanda a Europa.»


Viriato Soromenho-Marques, DN

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