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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O regresso clandestino do escudo*

João Gonçalves 1 Dez 13

"Para evitar a repetição da I Guerra e das cenas de 1940, Mitterrand resolveu exigir o euro, que teoricamente evitaria uma nova hegemonia de Berlim. Mal preparado e mal pensado, o euro levou em pouco tempo ao resultado contrário: ao empobrecimento dos países mais fracos, da própria França ao nosso pindérico Portugal, e estabeleceu a Alemanha como a única potência económica e financeira da região – o que não deixa de a consolar e satisfazer e a conduziu a um isolamento pacato e certamente feliz, que não quer ver perturbado pelas raças inferiores do Sul e os seus sarilhos. O acordo entre os socialistas do SPD e as tropas de Merkel revela bem o estado da Alemanha em 2013. O SPD conseguiu alguns limitados gestos a benefício da populaça mais pobre. Merkel conseguiu que não se mexesse no resto, nomeadamente na política europeia: nada de dívidas soberanas, nada de défices para esconder a miséria de cada um e, principalmente, nada de eurobonds para obrigar o contribuinte alemão a pagar a irresponsabilidade e a incúria de estranhos. O contribuinte alemão usará as suas poupanças para viver bem, embora modestamente, e para se passear no Verão por climas quentes, como de resto inteiramente merece. Do que Merkel mais gosta na Alemanha são janelas bem calafetadas. Chegou agora a altura de calafetar a Alemanha. Por aqui, nem a esquerda, nem a direita falaram disso. Continuam ainda em 1988."

 

Vasco Pulido Valente, Público

 

*O título do post é impropriamente sonegado a José Medeiros Ferreira. E o post à crónica de ontem de VPV. No "nosso pindérico Portugal", como Medeiros tem alertado, já vigoram duas moedas. A generalidade dos portugueses é pago numa - os portugueses dos cortes, do assédio fiscal e da declinante classe média - e o resto, o sistema financeiro e meia dúzia de felizardos, "circula" noutra. O que a Alemanha nos augura é pois, e de novo, uma mão cheia de nada e outra de juros por interpostas entidades credoras. Não é por acaso que o tesouro alemão se recomenda vivamente a si mesmo. Depois de Junho, e contrariamente ao que a propaganda diária e infantil designadamente do senhor vice nos quer fazer crer, as coisas mudam pouco. Entre outros aspectos menores que sobretudo se prendem connosco e com quem nos pastoreia, a Alemanha não muda. E isso faz toda a diferença para o regresso clandestino do escudo e para a manutenção da fatal pinderiquice. Com ou sem 1º de Dezembro para consolo dos crédulos que apreciam bacalhau com couves portuguesinhas pelo natal.

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