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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A caminho do nada

João Gonçalves 28 Nov 13

«As poupanças alcançadas com a liquidação antecipada de swaps atingem 78 milhões de euros, excluindo as reservas feitas pelos bancos para prevenir o risco de incumprimento e financiar o custo das operações. Dos 500 milhões referidos pelo Governo, cerca de 380 milhões dizem respeito a estas verbas inscritas pelas instituições financeiras. Os 78 milhões de poupança atingidos referem-se ao desconto realmente feito pelos bancos face às perdas potenciais que os 69 derivados liquidados acumulavam. Tendo em conta que o risco de prejuízo, que só se tornou real com o cancelamento de contratos, era de 1463 milhões de euros, o corte feito pelas instituições financeiras é de 5,7%, sem considerar as reservas dos bancos, revela documentação enviada pela Agência de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) ao Parlamento.» Um dia, espera-se, talvez possa ser contada a "história completa" destes derivados mais conhecidos por swaps. Porém, do tempo que passa, e pese embora estes milhões todos juntos (e como eles pesam), fica o anunciado fim dos estaleiros de Viana do Castelo, o fatal desemprego de mais de seiscentas pessoas e a perplexidade dos agentes económicos e políticos da região. Ainda não passou muito tempo sobre a "promessa" latino-americano-ibérica relativa aos estaleiros. Agora apenas ficou uma "solução" tipicamente latino-americana que prenuncia pouco de bom. Pior do que um país por natureza miserável, é um país amoral, conformado e retalhado a preceito consoante as ocasiões e os protagonistas. Entre milhões e tostões a caminho do nada.

A persistente flor na lapela

João Gonçalves 28 Nov 13



«É pois preciso ultrapassar o paradoxo de, enquanto por todo o lado se reconhece (e isto desde o famoso relatório Kern, já de 2006) a contribuição da cultura para o desenvolvimento económico e o crescimento, na União Europeia se assistir a um constante recuo dos meios das políticas culturais. Também aqui inspirados, parece, no exemplo alemão, onde se chegou a debater o temas em termos - imagine-se - de prevenção de um "enfarte" cultural!... Foi talvez já a intuição deste paradoxo que levou Jean Monnet a afirmar, ao enfrentar as primeiras dificuldades da construção europeia, que "se fosse hoje, teria antes começado pela cultura..." Seja como for, é esse o desígnio do Fórum de Avignon: repor a cultura no coração da política, através das revalorização da criatividade e da diversidade cultural como base do debate democrático e alavanca de novas ambições, propostas e medidas, no âmbito das políticas públicas, e não só. Para tal, como se afirma no manifesto deste ano, o élan político é vital, é dele que depende a compreensão da importante dimensão económica da cultura, a projecção do seu papel no dinamismo das sociedades e das empresas, bem como a renovação do imaginário coletivo e o fortalecimento da coesão social. Com as eleições europeias já no horizonte, o Fórum de Avignon assumiu bem a oportunidade que isso representa, focando neste ponto boa parte dos debates. Foi neste quadro que mais participei, nomeadamente na discussão do estimulante estudo sobre "cultura, territórios e poderes", propondo que se introduza a discussão sobre o papel da cultura no futuro europeu através da proposta da criação de um ministério da cultura da União Europeia. Esta proposta baseia-se, antes do mais, no reconhecimento do erro que foi a total ausência da dimensão cultural nos tratados europeus até ao Tratado de Maastricht (1992), mas também no reconhecimento dos equívocos criados pela política de subsidiariedade então definida, bem como na indigência orçamental com que sempre se tem tratado o sector. Ela pretende insistir - se possível, em articulação com um "Erasmus da Cultura" a criar - na importância da escala europeia para as políticas culturais, pois só assim será possível viabilizar um conjunto de medidas estruturais e contínuas que possam configurar uma nova e mais autêntica experiência da Europa, que é, na verdade, o que - para lá da conversa da crise e da dívida - hoje mais falta faz aos europeus.»


Manuel Maria Carrilho, DN

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