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portugal dos pequeninos

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A vida cá fora

João Gonçalves 27 Nov 13

 

Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, não é propriamente um "magno" agitador político nem sequer tem sido desagradável para o Governo. Por consequência, o Relatório de Estabilidade Financeira do BP, relativo ao corrente mês, pode perfeitamente ser lido de boa fé pelos governantes sem ter de aparecer, por exemplo, um Aguiar-Branco para "ocupar" o átrio da Rua do Ouro com a sua "indignação". O BP limita-se a alertar para o efeito que o orçamento, recessivo e rapace, ontem aprovado pode provocar na já depauperada economia nacional bem como no sistema financeiro. Tudo, evidentemente, se afunila nas pessoas e nas empresas por mais que a dupla Portas-Lima esbraceje infantilmente com uma "viragem" ou "milagre" por causa das "exportações". O OE para 2014 constitui, para mais, uma derrota política "interna" de alguns membros do Governo  - que engolem em silêncio - a quem ainda resta a lucidez de perceber que há vida "cá fora" em risco. «Apesar do perfil de recuperação da actividade económica ao longo de 2013, persiste ainda um elevado grau de incerteza relativamente à sua evolução futura, bem como à do desemprego. Em paralelo, as medidas de consolidação orçamental apresentadas no OE2014, tendentes a diminuir o rendimento dos funcionários públicos no activo e dos aposentados da função pública, após um aumento significativo da carga fiscal, terão efeitos no rendimento disponível das famílias, afectando as respectivas decisões de consumo e de poupança. Estes desenvolvimentos podem ter impacto negativo sobre a procura interna e, assim, dificultar a recuperação do emprego, com eventual reflexo no número de famílias que possam vir a confrontar-se com a impossibilidade de garantir os compromissos de crédito assumidos (...). Por um lado, a desalavancagem das famílias e a redução do seu rendimento afecta a procura destas por activos imobiliários. Por outro, a quebra do investimento público, nomeadamente em obras públicas, restringe também a procura dirigida a este sector.» Depois não se queixem.

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