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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Sem norte

João Gonçalves 25 Nov 13

 

O testemunho a Eanes decorreu sob o lema "olhar o futuro". As gerações presentes na homenagem talvez possam ser vistas como "incorrectas". Todavia sem, entre outros, o "momento Eanes", para usar o termo do feliz improviso de Eduardo Lourenço (ou o lastro da casa que não pode ser construída sobre a água no exemplo de Adriano Moreira), esta "normalidade", que permite até o pior, nunca teria sido possível. «Considero imperativo o norteamento ético da nossa sociedade. Um sistema social tolerante e pacífico não deve deixar ninguém de fora.» Mas fora da antiga FIL o "futuro" apresenta-se miserável e centrado na auto-suficiência sem valores a não ser os da escatologia contabilística em vigor. E não se vislumbram protagonistas ou "momentos"- embora não falte uma multidão de pseudo elites cheias de "futuro" atrás delas - da estatura de Ramalho Eanes. O país está sem norte.

 

Foto: Público

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As certezas

João Gonçalves 25 Nov 13

 

Até sensivelmente o serão da passada quinta-feira, o ministro Miguel Macedo - embora notoriamente enfadado, pelo menos desde a "crise Portas", com o estado da arte e anelando porventura por outra pasta - esteve sempre à altura dos desafios do sector que tutela. Todavia, dizem-me que uns dias antes, no Instituto de Ciências Policiais, terá falado de tudo (até das exportações) menos do que eventualmente mais interessaria à audiência. Mas, nesse serão, o ministro aludiu à manifestação do dia anterior dando a certeza que não mais os patamares da escadaria do parlamento seriam escalados para lá do "perímetro de segurança". E que colocava no cargo de director nacional o comandante daqueles que, no exercício das suas funções policiais, actuaram com respeito pelo chamado princípio da proporcionalidade (isto sou eu que digo porque o ministro achou a coisa "desproporcionada" e, pelos vistos, pela negativa). Salvo o devido respeito, o ministro praticou um oxímoro político. Se tudo aquilo era "inaceitável", nas suas palavras, como é que o Governo escolhe quem alegadamente permitiu uma intervenção diferente que evitou o pior embora "inaceitável"? É porque, afinal, o comandante da unidade especial, hoje director-nacional da PSP, esteve certo. O ministro é que talvez precise rever com urgência as suas certezas.

Eanes, o homem que se ergueu contra o medo

João Gonçalves 25 Nov 13



Conheci pessaolmente Ramalho Eanes em 1980. Posso considerá-lo um amigo da mesma maneira que a História, um dia, o recordará como um dos grandes amigos do país e "um herói da democracia", nas palavras de Jorge Miranda. Eanes gostou sempre mais desta terra do que ela, alguma vez, gostou dele. Atípico - não jacobino nem "educado" na oposição "intelectual" pequeno-burguesa e da classe média alta ao "Estado Novo", como Cunhal ou Soares, ou "liberal", como Sá Carneiro -, "formado" para a democracia no "terreno" duro de África onde aprendeu a ser um patriota sem se tornar um reaccionário patrioteiro, refractário aos ditames e aos jargões do regime que ajudou a construir depois do "25 de Novembro", discreto, solitário e irrepreensível em matérias de interesse público, Eanes é o "meu" melhor português contemporâneo. Como escreveu um dia o José Medeiros Ferreira, «havia muita gente escondida debaixo da mesa quando Ramalho Eanes se ergueu contra o medo por dever não administrativo. Fê-lo com serenidade, conta, peso e medida. Não esmagou ninguém com a sua coragem pessoal e política. Muitos heróis só apareceram depois. Tem-se remetido a um silêncio que sugere um exílio interior perante tantos talentos à solta.» Hoje é dia de lhe prestar um testemunho público. Apareçam.

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