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portugal dos pequeninos

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A vingança

João Gonçalves 18 Nov 13

 

Estive a tentar decifrar o recibo da pensão e do chamado "subsídio de natal" da minha Mãe, oriundo da CGA, relativo ao corrente mês. Não percebi patavina - imagino que os pensionistas entre os oitenta e os noventa anos de idade ainda menos - a não ser que, só por conta do IRS, há sete (7) alíneas e que, líquido, o dito "subsídio" não chega a cento a cinquenta euros. Uma coisa, todavia, entendi. Este mês de Novembro é o mês da vingança sob a forma do esbulho mais debochado. Como não pode ser exercida directamente sobre o Tribunal Constitucional - que mandou pagar os subsídios aos trabalhadores investidos em funções públicas e respectivos aposentados -, exerce-se sobre estas pessoas que, contrariamente ao maravilhoso dr. Mexia, não podem ir ao parlamento travar conversinhas moles de pé de orelha para manterem os seus contratos com o Estado. O Governo serve assim, brutalmente fria, a sua vingança.

Uma "democracia PSI 20"

João Gonçalves 18 Nov 13



«Um assunto urgente levou o presidente executivo da EDP, António Mexia, à Assembleia da República na passada sexta-feira de manhã: as alterações à contribuição sobre o sector energético para 2014, que o Governo entregou na véspera aos deputados da maioria para serem introduzidas no debate na especialidade do Orçamento de Estado. Tendo por base os cálculos iniciais da EDP, os novos critérios do Governo agravam a contribuição da eléctrica portuguesa em 17,9 milhões de euros. Acompanhado pelo presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto, Mexia foi apresentar ao líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, as objecções para tal aumento. Montenegro confirmou ao PÚBLICO ter sido uma audiência a pedido do gestor.» Por consequência, a partir de agora qualquer contribuinte, pessoa singular ou colectiva, tem o direito de se dirigir "à mais famosa casa de Portugal", a da democracia, para "apresentar objecções" aos sucessivos e imprevistos aumentos de impostos e contribuições. A menos que exista uma uma "democracia PSI 20", com especiais direitos de cidadania, distinta do Estado de direito democrático que é suposto isto ser. E que implica a subordinação do poder económico ao poder político e não o contrário. Qual é a parte que os drs. Mexia e Montenegro não entendem?

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Uma entrevista perspicaz do José Medeiros Ferreira, fora do "registo papagaio loiro" em vigor, sobre nós e a Europa. «O mapa cor-de-rosa é assim: nós temos de ter uma política realista de negociação. Eu nunca teria posto a negociar com a troika um ministro como Vítor Gaspar, saído da dogmática do BCE. É um colonizado, viu a revelação, soube a catequese, já estava com o lacinho da comunhão. Interiorizou aquilo até ter percebido que estava errado, como escreveu na carta de demissão. Um bom negociador seria o ministro da Saúde, Paulo Macedo. Ou uma pessoa como Bagão Félix (...). Paulo Portas não é um bom negociador, quer é chegar à conferência de imprensa e dizer umas coisas... O facto de ele ter recuado na demissão de MNE retirou-lhe toda a credibilidade. [Mas ele recuou e avançou]. Não avançou nada, ficou sem aparelho. Uma pessoa que é ministro dos Negócios Estrangeiros, que tem um aparelho no Palácio das Necessidades que é um dos melhores corpos do Estado em Portugal, vai ficar pendurado no palácio das Laranjeiras sem um aparelho próprio? Está tudo dito sobre a capacidade negocial que vai ter com a troika. Pode fazer chantagem... Mas como já fez uma vez, com as "linhas vermelhas", e recuou... Quando [a troika] o viu, lá perceberam logo que ele é um franguito, vai dar para assar durante um certo tempo (...) [Estamos preparados para negociar um bom programa cautelar?] Não, é por isso que defendo uma mudança de Governo. E a negociação devia acontecer depois de eleições. [Já podíamos ter tido eleições.] Esse impasse deve-se inteiramente ao professor Cavaco Silva, que estimou mal os tempos para a negociação portuguesa. Achou que isto ia lá com este Governo, o que é um erro de estimativa que lhe pode ser fatal e para Portugal também. Este Governo já não tem capacidade negocial, anda a reboque de tudo (...) Neste momento, temos de ser grandes negociadores dentro da Europa e ter algumas propostas. E ter uma política externa virada para as nossas alternativas, dos EUA à China, ao Brasil e a Angola. [Isso não está a ser feito?] Está, à nossa maneira, uma maneira ad hoc e com muitos ruídos e atrapalhações pelo meio. [Não andamos a confundir política externa com um caixeiro-viajante?] A política externa tornou-se um bocadinho isso. Eu sou um empirista. Tenho um certo receio de coisas como a exploração da plataforma continental [extensão submarina do continente europeu quanto à qual Portugal está a negociar direitos nas Nações Unidas]. Sou a favor, mas desconfio de que nos vamos perder outra vez num oceano de nada, com muita retórica. É isso que nos desvia. [E dentro da Europa?] Temos de ter um parceiro forte, que me permita estar à vontade com a Espanha, mas que esteja um bocadinho mais longe e seja mais forte. Os EUA, a Grã-Bretanha, se fosse mais pró-europeia, a França, se existisse. [Disse que não imagina Portugal a sair sozinho do euro. E se fossem vários países a sair ao mesmo tempo?] Nessa altura, Portugal era capaz de ser amparado para não sair. [Mas o caminho continua a ser estar no euro?] Eu acho que nós, neste momento, temos duas moedas. Houve um regresso clandestino do escudo. Temos é de criar condições para que a zona euro seja uma zona de crescimento. Se isso for feito, vale a pena continuar. Se não for feito, significa que as consequências da saída e as consequências da manutenção serão uma questão da oportunidade. [Que Europa vai sair desta crise?] Durante uns tempos, vamos viver numa União Europeia residual. Depois, logo se vê. Se resolverem a crise do euro, dá um passo em frente. Se ficar assim-assim, ela estagna.»

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