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portugal dos pequeninos

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O homem que iluminou o pântano

João Gonçalves 13 Nov 13



Depois de Cunhal, Guterres. Adelino Cunha "devolve" o antigo primeiro-ministro a casa em forma de livro. Ninguém sabe se o dito, para já, está mesmo interessado em voltar. Ele jura que não mas em política, sobretudo na contemporânea, não há juras definitivas e todos, uns mais do que outros, se comprazem em mentir. Um "estudo" deste fim de semana não o coloca mal nas "expectativas" para as presidenciais de 2016. Precisamente o mesmo "estudo" que envergonha Durão Barroso (e o que ele se tem espremido para causar boa impressão doméstica!) e acarinha o dr. Costa, o prof. Marcelo e o dr. Santana Lopes para os mesmos efeitos. Passos Coelho pede uma "grande coligação" reformista para depois da troika - esse momento fantasmagórico tem qualquer coisa de remake do "aqui nasceu Portugal" de Guimarães - como quem solicita a famosa espada de Mensagem com a qual Pessoa não sabia bem o que havia de fazer à semelhança de Passos nas presentes circunstâncias nada "líricas". Será neste contexto, e porventura com esta mesma gente das direitas e das esquerdas, que o actual primeiro-ministro "sonha" para "reformar" o país com a vigilância e o apoio minimalistas do Presidente Cavaco Silva? Nem vale a pena responder. É, pois, neste caldo impreciso que as presidenciais de 2016 podem ter interessse. A Portugal conviria alguém que assegurasse uma liderança institucional, e não meramente ornamental, da coisa pública e promovesse um referendo ao regime. Não estou a afirmar nada de novo: os Reformadores, em 1979, já o tinham defendido. Candidatos que venham para o palco perpetuar uma leitura bocejante e parlamentarista do sistema, não servem o futuro. O "presidencialismo de chanceler", centrado na figura do primeio-ministro - e que dura desde a revisão constitucional de 82-83 destinada a apoucar Ramalho Eanes e a instalar o glorioso "arco da governabilidade" que nos conduziu até aqui nestes derradeiros trinta anos -, não é o mais verosímil para quaisquer "grandes coligações". Guterres é um homem civilizado e preparado que, decerto, faria boa figura em Belém. Mas um país em transe precisa de outra exigência, de outro desígnio e de uma Nova República e não de estimáveis figuras. Talvez o livro de Adelino Cunha nos revele um Guterres distinto do que conhecemos entre 1995 e 2001, sem falar nos "sotãos" e nas "conspirações" a que este bom católico se dedicou no primeiro PS de Soares. Todavia ele estava certo quando iluminou, numa noite fria de Dezembro de 2001, o "pântano". É por lá que ainda andamos.


O lançamento é hoje, dia 13, no Teatro Nacional de São Carlos, pelas 18.30. Edição Alêtheia

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