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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A "reactividade pró-activa"

João Gonçalves 8 Nov 13



É assim mesmo que se exercita a chamada "reactividade pró-activa" em voga na teoria comunicacional do governo do "novo ciclo". Passo a citar: «o Governo olha para Belém tentando perceber se Cavaco será "árbitro" ou "jogador" neste tema [da convergência das pensões", isto como se ainda restasse alguma dúvida]. E pensa-se que, em caso de chumbo do TC, o rating de Portugal cairá e o 2º resgate será inevitável.» Até o jurista normalmente discreto e eficiente que é Marques Guedes (não é um "político", evidentemente), foi mandado avançar com esta magnífica afirmação: "já vamos no Plano D [quando os seus colegas "políticos", "técnico-políticos" e "apolíticos" já juraram por diversas vezes que a coisa não passa do "plano A" por forma à "reactividade pró-activa" da primeira parte da página poder produzir os seus "assustadores" efeitos: «o rating de Portugal cairá e o 2º resgate será inevitável.»].

A RTP do académico Maduro

João Gonçalves 8 Nov 13

 

 

«A RTP, estação oficial, oferece agora de madrugada (à volta das duas da manhã), ao pequeno grupo dos seus fiéis, pornografia light e um pouco mais, talvez para aumentar uma audiência em risco de extinção. Desde segunda-feira, passou um documentário sobre o Crazy Horse, para quem está particularmente interessado na anatomia feminina e se diverte com o espectáculo, presumivelmente erótico, de um travesti. E passou também dois filmes do artista espanhol Bigas Luna (ou do Panamá, da Costa Rica ou do Peru, é indiferente), em que o light já anda perto do hard e se mostram, dentro da variedade possível, e com grande devoção e um inusitado brilho, exercícios sexuais que certamente contribuem para a educação do povo boçal e a alegria do país. Não sou pudibundo, nem tenho nada contra aqueles que gostam ou precisam de pornografia, light ou hard, para o seu descanso. Mas não deixa de me intrigar a razão por que a RTP resolveu escolher este audacioso caminho. Por equívoco? Por um acaso feliz no meio da trapalhada vigente? Por uma subtil estratégia de programação? Ou por simples zelo do princípio constitucional da igualdade, a benefício das velhinhas de Trás-os-Montes, sem computador, que nunca foram a Paris, ao Meco ou às praias do Algarve? Por mais que pense não consigo decidir. Nem, de resto, a própria Igreja Católica Apostólica Romana, que sob a influência do Papa Francisco leva hoje estas coisas com evangélica tolerância. Só que desgraçadamente, em tempo de crise, as dúvidas não acabam aqui. Qualquer cidadão que paga a RTP com a conta da electricidade ou com impostos, a pretexto de que a RTP é um serviço público indispensável, perguntará com certeza se a pornografia light ou hard é um serviço público. O ministro Poiares Maduro já declarou que o futebol (no mínimo, um jogo por semana) era um direito imprescritível dos portugueses. A súbita aparição da pornografia a horas recatadas vem da mesma generosa visão? E, se vem, a que outros campos se alarga ela? Imagino muitos, mas não quero limitar a liberdade criativa da RTP, e menos a do sr. Maduro. De qualquer maneira, a pergunta essencial pede resposta: que espécie de argumentos justificam a promoção (admito que merecida) da pornografia a serviço público? Nós, que a sustentamos, queremos perceber.»


Vasco Pulido Valente, Público


Foto: globalimagens.pt


Adenda: A "RTP Ponte-Maduro" do "liberalismo" em vigor vista pelos operadores privados.

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