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portugal dos pequeninos

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A modéstia segundo Lomba

João Gonçalves 6 Nov 13

Há dias encontrei o Pedro Lomba na conferência de Jürgen Habermas na Gulbenkian. Fica muito melhor naqueles coisas do que a fazer de secretário de Estado. Isto apesar das saudades que deixou com os seus inesquecíveis briefings cujo lastro, todavia, recuperou em Coimbra. «O secretário de Estado Adjunto do ministro do Desenvolvimento Regional afirmou nesta quarta-feira que a possibilidade de os funcionários da administração pública reduzirem o horário de trabalho, embora surja num contexto de austeridade, é uma medida “amiga da família”. Segundo Pedro Lomba, esta possibilidade - contemplada no Orçamento de Estado para 2014 (OE2014) e que implica a respectiva redução salarial - é “um exemplo, não só em Portugal, mas também noutros países, de valorização do tempo de trabalho parcial” e é, por isso, uma medida que “é mais amiga da família, que é mais amiga da tranquilidade”.» Em matéria de acção comunicacional, para recorrer a um conhecido termo de Habermas, o Pedro é de uma originalidade extrema. Consegue aliar a tranquilidade familiar à diminuição dos rendimentos. É a modéstia segundo Lomba. E é o que há. 

Não há mapa-cor-de-rosa

João Gonçalves 6 Nov 13

Na apresentação do livro de Medeiros Ferreira, o autor explicou, num misto de ironia e de realismo, que pelo menos os servidores públicos e os pensionistas já estão a ser remunerados através de "outro" euro. Na verdade, estão a ser pagos em escudos que se designam, na língua de pau, por "corte" e "ajustamento". É o "regresso clandestino do escudo". O euro propriamente dito está reservado, por enquanto, para o sistema financeiro e afins. Não há mapa-cor-de rosa.

É da vida

João Gonçalves 6 Nov 13

«A verdade é que nós, por via da situação de tender a ter esse Estado social absorvente, tender a ter um Estado que visa absorver a sociedade numa dimensão que, a meu ver é exagerada, faz com que tenhamos uma tentação de um Estado totalitário, que cria as promiscuidades, que cria as clientelas, que cria as dependências», afirmou o dr. Aguiar-Branco. E não deixa de ter a sua razão. Todavia, o problema das "promiscuidades", das "clientelas" e das "dependências" coloca-se menos em relação ao "Estado social absorvente" (por natureza, se o Estado não for "social" serve para muito pouco) do que à "absorção" que é feita ao Estado por parte de coisas inteiramente privadas, e da "sociedade civil", como, por exemplo, os grandes escritórios da advocacia de negócios. Não vem no "guião" mas é da vida.

O segregador implacável

João Gonçalves 6 Nov 13

A "sinalização" do dr. Lima diz alguma coisa sobre o fabuloso dr. Lima e das saudades que já deve sentir da sua vida "privada". E diz principalmente tudo sobre o governante nacional que nunca será.

Um fracasso monumental

João Gonçalves 6 Nov 13

Se tivesse de escolher um monumento ao fracasso do Governo - o do "velho" e o do "novo ciclo" - ficava pela RTP. Não porque seja mais barato não edificar qualquer coisa de base. Pelo contrário. Tudo o que se gastou em dinheiro e em decência nos últimos anos com a RTP, na RTP, é, na realidade, monumental. E monumental para praticamente nada. Mas para que o fracasso seja um belo fracasso, deve tentar-se de novo e fracassar melhor como recomendava Beckett. Maduro suplantou Relvas no desastre (mea culpa na parte que me toca) e a "corporação RTP" suplantou a "reestruturação RTP". E o aumento da chamada "taxa" em 2014 para financiar este fracasso, ainda consegue suplantar tudo o mais. As pessoas que vieram de fora para dentro - a administração e o conselho fiscal, por exemplo - não só se deixaram capturar pelo fracasso como, em algumas circunstâncias, o agravaram, agindo ou por uma inércia complacente. A primeira e talvez única vez que ouvi Passos Coelho falar sobre a RTP, convenci-me que algum dia o fracasso seria atalhado. E que seria possível aproveitar o profissionalismo das mulheres e dos homens que asseguram o serviço público concessionado à empresa num modelo mais enxuto, menos estupidamente hierarquizado e amiguista e mais conforme com o que os públicos, da informação ao entretenimento e das diversas plataformas, esperam. Esperei sentado tal como as audiências. Um fracasso monumental.

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