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portugal dos pequeninos

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Feriado comemorado

João Gonçalves 1 Nov 13

Apesar do fim do feriado de Todos os Santos, a maioria e o governo do "novo ciclo" não deixaram de, metaforicamente, "celebrar" o que se celebrava com esse feriado. A aprovação, na generalidade, da proposta de orçamento para 2014, sem palmas, em silêncio e com declarações avulsas de voto de má consciência, deram o "tom" dessa "celebração". As consequências deste fúnebre evento, sob o alto patrocínio do Senhor Presidente da República, começam a sentir-se a 1de Janeiro. Mas o "cadáver esquisito", e exangue,  do país tem de estar pronto para entrar em funções até Junho. Como no título de um filme português relativamente absurdo que vi nos idos do Festival da Figueira da Foz, antes a morte que tal sorte.



Leio no Público que morreu o "Zé da Guiné". Antes dele já tinha "morrido" a Lisboa, e a noite de Lisboa, em que ele emergiu com uma extraordinária fulgurância pessoal, amável e simples. Nomeadamente no extinto B'Leza, a Santos. Antes de ser B'Leza, foram as "noites longas" do Largo do Conde Barão. Tratava-se de um clube de bairro que foi adoptado, por assim dizer, pela "pós-modernidade" (originariamente, o Casa Pia Atlético Clube). Foi aí, em meados dos anos oitenta que, encerrada a fase da "fragilização" - do Frágil, de Manuel Reis - passou a ser chique acabar a noite em Santos como talvez seja agora fazê-lo no Lux. Gente fashion que se prezasse frequentava aquelas noites. Em algumas delas havia "fila" e eventos. O grande senhor dessas "noites" era justamente o "Zé da Guiné", uma personagem apaparicada por muita rapaziada que ainda hoje escreve nos jornais, nas revistas ou que perpetrou livros e que acabou fatalmente por se esquecer do "Zé". Há uns anos correu um peditório porque o Zé - e, nessa altura, ser conhecido ou "amigo do Zé era uma espécie de passaporte, tal como se devia ser da "Guida Gorda" ou do "Pedro", no Alcântara Mar - estava doente e no maior desamparo material. A "Guida Gorda" entretanto virou a senhora D. Margarida Martins, alguém que dispensa apresentações regimentais, e que até já preside a uma junta de freguesia do dr. Costa. Do "Pedro", nunca mais ouvi falar até porque também o Alcântara Mar se finou. Fui cliente das "noites longas" e recordo-me de uma noite, não sei com quem, ter ido a pé desde Santos até ao Marquês de Pombal para apanhar um táxi. Deixei-me de noites, curtas ou longas, há muito tempo. Só raramente saio, e apenas para jantar.  A noite, seja em que lugar for, perdeu a graça e ficou entregue à frivolidade Kindergarten. O bairro de Santos, aliás, transformou-se num campo de batalha de criancinhas bêbadas e imateriais. O que existe, seja em que sítio for e seja com quem for, é demasiado indistinto e indiferente para poder ser autêntico. José Barbosa, o "Zé da Guiné", simbolizou um tempo feliz. E esse tempo não volta mais.

 

Sobre o "guião" do senhor vice PM, escreve Medeiros Ferreira que «não se percebe de que tipo de iniciativa política-legislativa se trata. Não é uma resolução, não desce à AR, não tem natureza legislativa. É um longo artigo de opinião cujo fim é o objectivo milenar de «modernizar o Estado». Uma coisa é certa ninguém volta a assediar Paulo Portas com a «reforma do Estado». É o único português que exibe uma bula nesse domínio. Escrita em latim do Baixo-Império.» No fundo, "um papel", como lhe chama Ferreira Leite: "o facto de ter desparecido esse peso e essa pressão que existia na opinião pública pelo facto de não surgir nada ao fim de tantos anúncios deve dar algum alívio ao Governo por ter apresentado um papel" em que "90% do guião, ou daquele documento que foi apresentado, é uma análise do que se passou até à data e 10% é sobre o futuro que se verá quando deve ser". Se, nas palavras de Vasco Pulido Valente, a dra. Cristas "com certeza que nem percebeu o que se passava nas catacumbas do seu ministério", para que é que Paulo Portas anda por aí, "com o seu ar mais solene, a pregar a reforma do Estado"?

 

Foto: Expresso

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