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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"Capaz de quase tudo"

João Gonçalves 24 Out 13

Ao ano e tal por que se espera pelo "guião" da chamada "reforma do Estado", é preciso somar, para já, mais uma semana. O senhor vice PM não produziu a coisa no conselho de ministros de hoje, contrariamente ao que havia sido anunciado pelo senhor PM no parlamento. "Contributos" de todo o elenco ministerial, murmurou o ministro da Presidência, justificariam o adiamento do evento que será então aprovado da próxima vez. Esta recorrente pantomimice da "reforma do Estado" já enjoa designadamente quando se olha para a proposta de orçamento para 2014. Parece que tudo é permitido ao senhor vice PM. No fundo, este parágrafo de Pacheco Pereira na revista Sábado sintetiza essa complacência inexplicável sobretudo quando o país nada ganha com ela, quanto mais uma "reforma". «Portas é hoje a face mais repulsiva do Governo, num campeonato em que concorrem muitos candidatos poderosos. É-o pelo seu papel na crise que atravessamos, que nos custou mais milhões por sua causa, é-o pela obsessão de querer remendar a todo o custo a sua imagem e ser evidente que para o tentar fazer é capaz de quase tudo.»

Os encobertos

João Gonçalves 24 Out 13

 

De vez em quando, nomeadamente em momentos de crise, surgem candidatos a "D. Sebastião". Os mais conspícuos, agora, são o dr. Costa, o eng. Sócrates e o dr. Rio. Apesar de neófito, depois de passagens por corporações e em televisões à conta da bola, o eng. Moreira, do Porto, decerto não desdenharia "aparecer" num dia de nevoeiro. Até porque não pára de aparecer. Costa e Sócrates, apesar de pertencerem à mesma "família" política, mas por serem do mesmo "ramo" dela, tendem a anular-se mutuamente. A vantagem pertence a Costa já que Sócrates não aguentou esperar. E nem ele, nem sobretudo o país, fizeram ainda o "luto". Quanto a Rio, com o PSD politicamente desvitalizado e cada vez menos social-democratizado, tenderá a fazer de Santana Lopes, em sofisticado, andando por aí, sozinho ou por interpostas pessoas. Todos têm em comum anos e anos disto. Na terceira posse como presidente da CML, Costa falou como se tivesse acabado de chegar de Alcácer Quibir. Sócrates, a pretexto de um livro, concedeu mais entrevistas numa semana do que em seis anos de mando absoluto. E Rio, porque saiu e porque despreza religiosamente o trôpego "passismo", paira. Talvez nos fizesse mais falta um Prior do Crato.

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Lavagem de mãos

João Gonçalves 24 Out 13

 

A trágica pilhéria da nossa vida pública nestes tempos fortemente outonais traduz-se na séria possibilidade de cada dia poder ser sempre pior que o anterior. No debate parlamentar de ontem, com uma parte dedicada ao Conselho Europeu a que não se ligou nada (como se os problemas da paróquia pudessem alguma vez ser ultrapassados sem ser em "ambiente" europeu), o 1º ministro aparecia rodeado de académicos salvo o dr. Marques Guedes que é um simples jurista como eu. De nada, porém, lhe servem. Veja-se o caso do improvável prof. Maduro. Depois da prestação do presidente do conselho de administração da RTP - que o desautorizou numa comissão parlamentar -, o ministro adjunto refugiou-se num comunicado patético a desmenti-lo. Maduro, porventura inspirado nas amenidades do "Norte" que tanto transporte "romântico" tem provocado a bem da chamada literatura portuguesa, tinha decidido chutar para lá a RTP Internacional em virtude, e  passo a citar, do "tecido empresarial vibrante" que alegadamente por ali pasta. Sucede que o dr. da Ponte pretende reservar a RTP sediada no Porto para a 2. E não tem "espaço" para mais nada, ou seja, para exibir as glórias do "tecido empresarial vibrante" que, através do canal internacional, nos retiraria da nossa tristíssima irrelevância (ainda hoje o New York Times alude à recuperação da zona euro, na ordem dos 0,4% em Espanha, por exemplo, sem uma palavra para o Portugal dos visionários drs. Portas, Lima e Passos Coelho). Mais. O dr. da Ponte afirmou que havia colocado nas mãos delicadas do prof. Maduro uma "lista de redução de efectivos" (nominal?) para ele decidir o que fazer com ela: aparentemente a administração quer lavar daí as suas. Maduro também. Estão bem uns para os outros.

 

Foto: Globalimagens

Mudar

João Gonçalves 24 Out 13



«Mudar, com a política a assumir claramente as suas responsabilidades, mas também a revelar com coragem e sentido pedagógico as dos outros: da indústria financeira, dos lobbies, dos media, das elites deslumbradas etc. Mudar, cortando com a demagogia das promessas e fazendo a pedagogia do mundo, dos seus reais problemas e das suas possibilidades efectivas. Mudar, acabando com as lengalengas da globalização e a competitividade da Europa e da dívida, que já ninguém ouve e apenas dão força a todo o tipo de demagogia que alastra pela União Europeia. Mudar, compreendendo que a raiz dos nossos impasses, aquilo que verdadeiramente nos impede de resolver os nossos problemas, está na verdade numa construção europeia que se apoia cada vez mais em procedimentos oligárquicos, subalternizando cada vez mais a democracia a uma obscura teia de normas económicas e jurídicas. Para se pôr fim ao ilusionismo político, que nos manieta individual e sobretudo colectivamente, temos de deixar de estar reféns da multifacetada impotência fabricada que, identificando o pós-nacional com o pós-político, na verdade esvazia os aparelhos políticos nacionais de toda a potência e de toda a substância. É de resto por isto que a chamada crise da democracia é muito mais grave e aguda na União Europeia do que nos EUA. As instituições europeias - seja o Parlamento Europeu, a Comissão, o Tribunal de Justiça ou o BCE - foram completamente ultrapassadas pelos acontecimentos e pela história. Como Marcel Gauchet afirmou recentemente, a construção europeia, em vez de diminuir, "amplifica os problemas já visíveis no interior das democracias. Ela tira à decisão política o pouco de efectividade que ela ainda podia esperar conservar no interior dos espaços nacionais. Ela é animada por uma vontade pós-política, a de reduzir a democracia ao mais amplo exercício político das liberdades individuais. Claro que estas são sempre um importante componente da democracia, mas esta consiste essencialmente, antes de tudo o mais, na capacidade de fazer escolhas colectivas. Mas para isso é preciso um quadro em que elas possam ser efectuadas por pessoas conscientes do significado dessas escolhas. Ora, a Europa não é, não tem esse quadro." É isto, nem mais, nem menos.»

 

Manuel Maria Carrilho, DN

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