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portugal dos pequeninos

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"Protectorado", como ele diz

João Gonçalves 12 Out 13

O "Jornal de Angola" - independentemente de quaisquer conteúdos uma vez que que a liberdade de expressão e informação constitui um dado indisputável - é já um dos poucos jornais do mundo onde se escreve correctamente o português. E onde as palavras escritas querem dizem exactamente o que querem dizem, sem sofismas "humpty-dumptystas". Por isso, não deve constituir surpresa que, em editorial, o "Jornal de Angola" tire conclusões do uso reiterado do termo "protectorado" por parte, designadamente, do senhor vice PM português e líder de um dos partidos da coligação governamental. Como se, por causa de um programa de apoio externo, Portugal tivesse "ajustado" a sua soberania para agradar a terceiros. E não se diga que se trata de uma mera questão de semântica, ou de mera ironia, ao alcance de observadores e comentadores mas nunca de representantes de um poder executivo demoraticamente escolhido. "Protectorado" tem um significado preciso no direito internacional público. E é, no fundo, o que aquele editorial traz à colação, prestando um amável "esclarecimento" ao antigo MNE do dr. Passos Coelho e seu putativo "número dois" no governo desde Julho último. 

 

«Portugal, segundo o senhor vice-primeiro-ministro do Governo Português, é um protectorado. Lamentamos profundamente esta situação, mas pouco podemos fazer (...). Mas se está reduzido a um protectorado, como afirma o senhor vice-primeiro-ministro Paulo Portas e muitos outros políticos portugueses, não tem capacidade para assumir as suas responsabilidades na comunidade dos países que falam a Língua Portuguesa. Está pior do que a Guiné-Bissau, apesar de tudo um Estado soberano. E corre o risco de ter um estatuto político muito próximo da “aspirante” Guiné Equatorial. Fazemos esta constatação, com mágoa. Mas a vida continua e a CPLP não pode ficar à espera de um Portugal que até os seus mais altos dirigentes políticos aceitam seja um protectorado.»

 

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A lata

João Gonçalves 12 Out 13

Um jornal titula que o senhor vice PM - na altura ainda era só ministro dos Negócios Estrangeiros - anda há nove meses para apresentar a "reforma do Estado". "Ficou de apresentar", disse uma vez o senhor PM já depois da crise de Julho que os promoveu a todos a inteligentes. Todavia, este e outros comentários do género nunca passaram da mesma letra morta de que padece a referida "reforma". Nunca houve nem haverá qualquer "reforma do Estado" digna desse nome por três ou quatro motivos triviais. O tempo curto para a fazer é inverosímil. O elementar bom senso político, algum conhecimento da sociedade e da história portuguesas, um domínio sólido da administração pública e não umas bravatas de café erigidas em "doutrina" talvez ajudassem a, pelo menos, tentar perceber o que se podia e devia fazer. Tudo, porém, o que esta gente dos "desenhos" não consegue nem pode fazer no meio da intriga, da demagogia e de uma irrevogável ignorância da mesma dimensão da sua má-fé. A "reforma" são os cortes cegos, surdos e mudos atirados para cima de tudo o que mexe e não mexe. Portas apenas quis um pretexto para se "diferenciar" de Gaspar e o primeiro-ministro, com a subtileza que o há-de tornar numa celebridade inesquecível, deu-lho. E, volta não volta porque sabe tratar-se de uma falácia, entre uma porta e o automóvel recorda aos crédulos, no seu português peculiar, que o outro "ficou de apresentar". Ficaram, afinal, todos. Ainda há dias alguém me dizia que só no ministério em que essa pessoa trabalha, por acaso chefiado por um epígono do dr. Portas, "ficaram de arranjar" mil (1000) trabalhadores para imolar no altar do OE de 2014. Ora para chegar a isto, ninguém precisa de nove meses nem de "desenhos". Basta ter lata.

 

 

Adenda: «Paulo Portas «quer fazer engolir as palavras a todos os que o acusaram de mentir de não defender os mais pobres». É uma espécie de defesa da honra, o que vai acontecer este sábado.» Não estará mais do que  na hora de colocar uma "linha vermelha" no ego insuportável desta criatura?

 

Adenda2: Afinal alguém aconselhou Sexa. a "regressar" ao governo onde é putativo "número dois" e a "diluir" a sua irreprimível vaidade no conselho de ministros extraordinário que, em princípio, aprovará o mais complicado documento da vida política do dr. Passos Coelho. E, segundo o próprio, de Portugal que desde quarta-feira última se confunde com a sua gloriosa pessoa.

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