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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O professor Maduro no seu labirinto

João Gonçalves 9 Out 13

Perplexo pelo afogamento de um cidadão estrangeiro nas ondas quentes e perigosas do Guincho, contemplo os telejornais. Vejo os dois operadores privados criticar o prof. Maduro por causa do espectro na TDT. Aparentemente apenas a RTP pode enfiar lá mais dois canais seus. Até o insuspeito Carlos Magno da ERC votou contra isto. Mas entre o prof. Maduro e o dr. Alberto da Ponte desenvolveu-se uma acrisolada relação que, entre outras coisas, aparentemente permite "pensar" numa empresa de produção e de meios à qual seriam alocados trabalhadores da RTP porventura para os "requalificar". É evidente que os operadores privados, para além da questão da TDT, também se opõem a esta "ideia" que já tinha soçobrado com Miguel Relvas, e Guilherme Costa ainda na RTP, numa iniciativa política que envolveu a SIC e a TVI. Como se não bastasse, o ministro-adjunto prometeu no parlamento um "conselho geral independente" que escolherá a administração da RTP. Não é mau. Sucede que o ministro não disse a mais remota palavra sobre como é que tenciona colocar o anúncio em prática. Mais. Acrescentou uma banalidade conhecida desde há décadas: a RTP gasta mais em pessoal do que em grelha. E marchou para Cabo Ruivo para reunir com 50 trabalhadores indistintos da empresa, sem a comissão de trabalhadores ou conselhos de redacção. Se esta peripécia - só possível porque o prof. Maduro, de facto, ignora latamente o chão que pisa- se passasse com Relvas, o que é que não se diria.

"Mais longe"

João Gonçalves 9 Out 13

 

 

Um país que em Outubro pode usufruir deste tempo magnífico tem de "sofrer" com isso. Para o efeito podemos, pelos vistos diariamente, contar a com a palavra sempre "reconfortante" do senhor primeiro-ministro:«o primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que a proposta de Orçamento do Estado para 2014 não poderá ter outro objectivo senão levar mais longe a preocupação de reduzir o défice das contas públicas.» Esta obsessão com o "ir mais longe" em matéria austeritária tem-nos conduzido famosamente "muito longe". O PM perpetra uma espécie de rasura sobre o mea culpa do dr. Gaspar na sua carta de demissão (que ele sempre fingiu que nunca leu) e, justamente, quer ir "mais longe". Isto foi dito numa conferência ironicamente intitulada "sobreviver e crescer". O segundo governo do dr. Portas e do dr. Passos, por esta ordem, parece apostado precisamente no oposto. Não se vê como é que o país pode "sobreviver", quanto mais "crescer", com este torpe desígnio do "mais longe" que o primeiro disfarça com pantomimas e o segundo anuncia com orgulho. Talvez por causa desta extraordinária "dialéctica" que atravessa o executivo, desde Julho bicéfalo como Ortros, o OE 2014 será acompanhado de uma segunda alteração ao ainda em vigor (o défice?) conforme revela o quadro da foto enviado por um leitor desconhecido. Este "pensamento", o único, do "mais longe" está a levar-nos cada vez mais longe. Tão longe que, com um módico de sorte, ainda desaparecemos do mapa. Não se perdia nada.

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