Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O que faz correr Sócrates?

João Gonçalves 22 Set 13

 

Depois da entrevista e dos comentários semanais na RTP, José Sócrates vai publicar a sua tese de mestrado em Outubro. É "apadrinhada" e prefaciada por Lula da Siva que vem cá a expensas de uma empresa de construção civil. O que não deixa de ter a sua graça quando falamos de filosofia política. Mas isso não me interessa nada para o efeito. Afinal, o que faz correr Sócrates? A "vontade" de participar no debate público é curto. As audiências também são curtas. A presença na comissão de honra de Costa em Lisboa ainda mais curta é. Não. Sócrates quer "testar-se" numa altura em que os tempos políticos passaram a viver sob o signo do curto-termismo. E quer "testar-se" na frente externa e na frente interna. Um cargo internacional - na Europa, eventualmente -, indicado pelo PS, sozinho ou num governo de "compromisso nacional", podia ser uma hipótese. Mas uma candidatura presidencial ("tecnicamente" afastada numa entrevista a um jornal moçambicano) talvez seja tentadora perante o desvanecimento político e instiitucional em curso. Sobretudo se for assumida com um recorte presidencialista e de ruptura com a "praxis" minimalista em vigor. Os proto candidatos das direitas e das esquerdas que para aí andam, ou contentam-se com o perfil constitucional do PR ou até não desdenhavam diminui-lo um pouco mais. Quando chegarmos às vésperas das eleições presidenciais, se nada de extravagante se passar entretanto e a nação ainda for viva, o país estará exangue e farto das "instituições" e dos seus jogos florais. Os candidatos a candidatos que intuírem que é preciso "outra coisa" talvez obtenham a graça de ser ouvidos. E, com sorte, de ser seguidos nem que seja pela "felicidade" do esquecimento. Nenhuma das eleições previstas até às presidenciais de 2016 apresenta a priori condições para um valente murro na mesa democrática. Não estou a dizer que Sócrates possa, queira ou deva sequer aparecer nelas. Estou apenas a tentar perceber por que "corre" mesmo que, por fim, acabe por não sair do mesmo sítio.

Estados de necedade

João Gonçalves 22 Set 13

«Não sei, por exemplo, se [Passos Coelho] fala inglês com alguma fluência e correcção, mas dizem por aí que não e que, nas conferências a que vai na Europa, acaba sempre por fazer uma figura penosa. Esta ignorância - se por acaso existe - seria, em princípio, só com ele. Mas passou a ser com todo o país, a partir do momento em que o Governo tornou o Inglês no 1.º ciclo do básico uma disciplina facultativa que cada escola fornecerá ou não a seu arbítrio às crianças que a frequentam: apesar de 90 por cento dos pais (e, em certas zonas, 95 por cento) estarem em desacordo com esta medida estúpida e ridícula (...) O Governo do sr. Passos Coelho, que não pára de insistir na necessidade de aumentar o que Portugal exporta, que sonha com a "internacionalização" dos produtos portugueses e que vive da escassa confiança dos mercados financeiros da Alemanha, de Hong Kong ou de Londres, decidiu de repente poupar uns tostões em aulas de Inglês, enquanto mantinha a obrigatoriedade de disciplinas tão úteis como a do "Estudo do Meio" e de "Expressões artísticas: físico-motoras". O que o Governo e o dr. Passos Coelho precisavam era de um curso intensivo para diminuir rapidamente a sua iliteracia e lhes dar uma ideia aproximada do universo em que vivem.»

 

Vasco Pulido Valente, Público

 

 «A BBC tem vivido um "annus horribilis", nas palavras da ministra da Cultura. Escândalos atrás de escândalos: a quase-protecção de um apresentador famoso, predador sexual e pedófilo dentro das suas instalações; um projecto catastrófico de "modernização" que deitou 117 milhões de euros para o lixo; pagamento de 71 milhões de euros em indemnizações a altos quadros que se demitiram; humilhação no parlamento; pedido de auditoria a todos os salários; falta de ousadia na criatividade dos conteúdos. Deputados, governo e comentadores convergem: grande parte da responsabilidade desta situação deve-se ao sistema de governança da BBC que o governo português quer copiar. O modelo bicéfalo de um Trust e de uma administração foi criado à última hora pelo governo de Blair, substituindo uma proposta mais razoável de um grupo de trabalho. Deu nisto. Neste momento está em cima da mesa uma proposta para o modelo não chegar a 2017, quando deveria ser revisto (...) Desastroso, o processo da TDT deve agora ser reaberto. O ministro Maduro, com a sua ideia estatista de RTP "bandeira do Estado" e com precedência no mercado concorrencial, quer pôr a RTP Informação em sinal aberto, omitindo os privados. Logo SIC, TVI e Cofina, proprietária do CM e CMTV, reivindicaram, e bem, canais em sinal aberto na TDT. Liberal, este governo? »

 

Eduardo Cintra Torres, CM

 

 «Já fiz uma campanha inteira a ouvir a música dos The Gift e ganhei alma todos os dias [e agora é só subir as escadas]


Presidente do CDS, Alcobaça, DN

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

  • António Maria

    Completamente de acordo.Ontem tive vergonha de ser...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, «plus ça change, plus c'est la mêm...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor