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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Juan Luis Panero 1942-2013

João Gonçalves 21 Set 13



«Embora saiba, melancolicamente, que a inteligência, tal como o silêncio, as mulheres elegantes e, pelos vistos, o prazer de fumar são coisas chamadas a desaparecer, nego-me a acreditar que entre esses dois grandes grupos em que Sir Steven Runciman dividia o género humano, os tolos e os estúpidos, não restem ainda uns tantos interessados em evitar pertencer a tão populares agrupamentos.»

A papinha

João Gonçalves 21 Set 13

Segundo o Expresso, o Presidente da República tenciona regressar à papinha farinha Amparo do "compromisso nacional" depois das eleições. Pelos vistos ao Doutor Cavaco não chegou a telenovela de Julho último, com aquela extraordinária semana entre os seus dois discursos na qual os partidos "fingiram" que andavam em busca do tal "compromisso de salvação nacional". Na tarde do dia do primeiro desses discursos tive ocasião de dizer ao prof. Álvaro Santos Pereira - passavam dez dias sobre a "crise Portas" - que a única solução política razoável para o que se estava a passar era eleições antecipadas. Os presentes olharam para mim como se lhes tivesse sido anunciado o fim dos tempos. Sucede que o PR decidiu prolongar "este" original fim dos tempos (os presentes agradeceram ingenuamente tamanha graça) e "delegou" nos partidos o único poder que depende exclusivamente de si - a dissolução do parlamento. Aparentemente é a isto que quer voltar depois das autárquicas porventura já a pensar no segundo resgate, "cautelar" ou não "cautelar", e na incapacidade política das presentes pessoas em exercício o impedirem já que pelo menos uma delas deu o maior empurrão que podia dar para o efeito. Boa noite e boa sorte.

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A ilha grega

João Gonçalves 21 Set 13

 

Por volta das cinco da tarde fui até à praia do Guincho. Esta costuma ser a melhor altura para lá ir, entre o fim do que era dantes o verão e o princípio do que era dantes o outono. Sem vento, com temperaturas de ar e de mar agradáveis, a coisa sempre prometia. Hoje também não havia vento, o mar estava agitado mas adequado a quem o conhece. O calor destoava da época e a época destoa de tudo. As pessoas também, sobretudo porque eram muitas. O que implica, por exemplo, que nas estradas contíguas fique quase só disponível uma faixa para circular. As ditas pessoas apreciam "largar" os carros em vez de os estacionar. Algumas apenas não os levam para a praia propriamente dita porque não podem. Na areia, as amenidades passam pelas inevitáveis bolas, grandes e pequenas com raquetes irritantes, e por famílias numerosas que se tratam por "você". As meninas salpicam-se à beira-mar em fatinhos de banho dos anos 20 do século XX e as mãezinhas falam entre si até que uma das meninas é ameaçada por uma onda mais alvoraçada que vem morrer aos pés da criancinha. Passados uns segundos, já as meninas correm atrás uma da outra e as mães retomam a prosa vaga. A rapaziada do surf e do bodyboard troca impressões sobre o estado do mar e cumprimenta as meninas mais velhas com um solitário beijo. Elas passeiam-se com os telemóveis, melancólicas e conspirativas, sendo salpicadas intermitentemente pelos rapazes que entram e saem da água consoante os intervalos da bola. São todas e todos iguais. Havia ainda um "estrangeiro" que ressumava a uma lula e que se enrolava na ondulação despreocupadamente. Em suma, reinava a tranquilidade, a mansidão e a indiferença. Parecia uma ilha grega.

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