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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Está tudo dito

João Gonçalves 16 Set 13

Depois das infelicidades de Julho, o Presidente da República reapareceu e falou. Toda a gente deu relevo à reprise da "cultura do compromisso" e ao apelo ao "bom senso" da troika porque supostamente estamos "a crescer". Poucos repararam - porque o PR disse que a coisa primeiro tem de passar pelo parlamento que, nesta matéria, ouviu hoje declarações inadmissíveis de deputados que pretenderam defender o indefensável - que, a propósito dos cortes ditos de convergência nas pensões em vigor, o Chefe de Estado usou o termo imposto extraordinário. Está tudo dito. E bem dito.

Um plano inclinado

João Gonçalves 16 Set 13



O meu "par" dos Portistas de Bancada relata um episódio "edificante" que envolve a língua portuguesa. Tanto mais interessante, o episódio, quando o prof. Crato anda para aí num interminável road show de aberturas e mais aberturas do ano lectivo, de "acordos" com terceiros para exames de inglês e de conversas surdas sobre colocações, etc., etc, o que revela, como se fosse preciso, a importância que a Escola devia ter no futuro de tudo e não tem. Esta "história" evidencia um presente em que "tudo desliza e se apaga numa indiferença descontraída", para usar um termo de Lipovetsky que amanhã está em Lisboa. Em suma, um plano inclinado.

O que vale

João Gonçalves 16 Set 13

Até conseguir ver a troika "pelas costas", o senhor vice PM ainda tem muito que penar para desatar um nó que ele mesmo atou («O problema é que, desde a crise política, e com um novo agravamento na última semana, as taxas de juro da dívida pública portuguesa estão a um nível que não permite pensar num regresso bem sucedido aos mercados. Na sexta-feira, as taxas a dez anos chegaram muito perto dos 7,5%. Perante isto, o debate com a troika deverá ser muito mais sobre um segundo resgate do que sobre um programa cautelar.»). E, antes dele, os portugueses, essa entidade abstracta servida em doses moderadas pelos jantares de campanha. E antes dessa abstracção retórica, outros portugueses efectivamente bem caracterizados pela Ana Sá Lopes e que durante muito tempo "comoveram" o actual número dois do Governo a ponto de o terem "obrigado" a traçar uma "linha vermelha" que nunca mais se viu: «O esquecimento, a demagogia, a cassete da austeridade virtuosa (para lhe chamar qualquer coisa que não seja simplesmente a cassete da defesa da classe dominante) é particularmente evidente no corte retroactivo das reformas e na lei chumbada do despedimento de funcionários públicos. Estes reformados nunca viveram acima das suas possibilidades porque, quando nasceram, não havia “possibilidades”. Nasceram num país miserável, onde quase ninguém estudava e os serviços de saúde metiam medo. Foram eles que ajudaram a construir o país mais ou menos decente que ainda temos enquanto não rebentarem com ele de vez. Solidariedade intergeracional é ter consciência do que lhes devemos e não os tratar como carne para canhão.» Pois é, senhor vice PM, chegou a hora de mostrar finalmente o que vale. Serei o primeiro a tirar-lhe o chapéu.

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