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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Medidas últimas ou as últimas medidas?

João Gonçalves 15 Set 13

 

Vozes ligadas aos partidos da maioria, como Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix ou Marques Mendes - este ainda mais insuspeito porque "frequenta" a maioria e o Governo -, criticaram asperamente não apenas a substância mas também a forma escolhidas pelo Governo para tratar a alegada convergência de pensões e a chamada "requalificação" dos trabalhadores públicos. Marques Mendes, aliás, colocou uma questão politicamente relevante. Por menos do que isto, o Governo, pela voz do próprio primeiro-ministro, "explicou-se" ao país e não deixou a coisa por um comunicado e por umas frases soltas proferidas por um secretário de Estado. Ou pelas manchetes dos jornais e das televisões que, evidentemente, "explicam" tudo como entendem. Nalguns casos até prestam um serviço público de esclarecimento que quem de direito não consegue, ou não quer, prestar. Aparentemente o Governo ainda não se deu conta do "alarme" social que isto pode provocar quando, por exemplo, se perceber que os "cortes" (no jargão em vigor, "medidas" equivalem a "cortes" e os "cortes" são as "medidias"), quando nascem, não são para todos (M. Mendes recordou a subvenções "políticas"). Sempre disse que o OE de 2014, de que estas "medidas" fazem parte, é o documento político mais importante que o Governo jamais deu ou dará à luz. Todavia, dá a impressão que trabalha afincadamente para que seja o último.

O nosso tio da América

João Gonçalves 15 Set 13

 

Os telejornais da hora do almoço abriram com o contrato que Ronaldo acabara de assinar com o Real Madrid. Na sequência dele, o rapaz da Madeira passa a ser o jogador que maior ordenado aufere no mundo da bola. Porque é que isto interessa? Por vários motivos o menor dos quais a nacionalidade do rapaz que apenas serve para ser usada em manobras de propaganda lá fora, a mais recente das quais anunciada para a China a expensas do Turismo de Portugal. Ronaldo, apesar da tenra idade, é o "nosso tio da América". Teso que nem um carapau, humilhado nos seus rendimentos de trabalho, tratado amoralmente como lixo depois de aposentado, sem perspectivas de emprego, estude muito, pouco ou nada, o português aprecia rever-se nestes negócios. Toma simbolicamente como seus os quase 20 milhões/ano que o rapaz vai ganhar, prefere-o ao "intelectual" Mourinho que é demasiado sofisticado para ser entendido aqui, gostava de ter as namoradas que ele tem, as casas que ele tem, as viagens que ele faz, as cuecas que ele promove. Ronaldo é, assim, uma "honra nacional" num momento em que a honra nacional não se recomenda nem nas Selvagens. Mas que o português deslumbrado por estas façanhas não se engane. O mérito é apenas do rapaz. Calhou-lhe ter nascido neste sítio. Mas, para sua perpétua felicidade, viu-se livre disto rapidamente. Só por aí, estará sempre de parabéns.

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