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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O sorriso de Gaspar

João Gonçalves 13 Set 13

Afinal bastou uma deslocação da ministra das finanças ao Eurogrupo para se esclarecerem as "dúvidas" das décimas e do défice. As metas, disse o Eurogrupo, continuam a ser as do dr. Gaspar. A fala mais recente do senhor vice PM foi assim, em apenas dois dias, ultrapassada pelo fantasma do referido dr. Gaspar. Também o dr. Lima, da economia, foi colocado no devido lugar pela ministra quanto ao IVA da restauração: nada, referiu, está previsto. Em suma, no "novo ciclo" o que é certo para uns é incerto para outros e assim sucessivamente. Gaspar sorri.

Uma conversa

João Gonçalves 13 Set 13

 

Estive a ler com atenção esta entrevista do Nuno Santos. Quando foi alvo de um "inquérito" interno, escrevi que o considerava «um profissional a quem quero, aqui, protestar livremente a minha consideração e estima pessoais. Não se atira impunemente a honra de quem quer que seja aos cães com processos sumários ou tentativas de linchamentos públicos.» Nessa altura não podia sequer imaginar que o Nuno iria ser, depois de ter estado suspenso, despedido. E que, em consequência disso, teria de procurar trabalho fora de portas e mudar por completo a sua vida pessoal e profissional. Acompanhei isto tudo desgraçadamente por perto. Incomoda-me um país e, volto ao termo de propósito, uma democracia dita liberal em que, involuntariamente, as pessoas têm de sair em razão da prepotência caprichista de outras pessoas. Se me envolvi mais neste "caso", aceitando ser testemunha no processo judicial que o Nuno moveu contra o seu despedimento, é porque não aceito a derrota da verdade e do direito às mãos desse caprichismo ainda por cima mal amanhado. Mesmo sabendo que outras pessoas que estimo estão do lado oposto. Todavia, a minha liberdade de acção, nesta matéria, não é menor do que a que sempre achei que devia ser assegurada a quem tem de tomar decisões políticas. E que, para o bem e para o mal, deve prevalecer. A entrevista termina com uma pergunta: «Esta entrevista é publicada no dia 13, o dia para o qual está marcada a primeira audiência preliminar. Acredita ainda num acordo?», ao que o Nuno Santos responde:«Isso depende de algum espírito de abertura das partes. Eu tenho espírito de abertura, sobretudo em nome dos superiores interesses da RTP e da paz na empresa, mas não cederei no essencial.» É um bom começo para uma conversa, no sentido pragmatista do termo, que quanto mais depressa terminar para todos, melhor.

Entretanto no mundo

João Gonçalves 13 Set 13



«A situação agora é esta. Se as negociações entre a América e a Rússia falharem, a Rússia acusará, como de costume, a América de imperialismo e má-fé; e Obama ficará praticamente impedido de avançar com a sua "intervenção cirúrgica". Se as negociações não falharem, a América entregará sem um gesto a Síria ao sr. Putin. Mas, pior do que isso, a incapacidade da esquerda (americana ou não) para perceber as realidades do poder será arrasadoramente provada e a América voltará tarde ou cedo a uma forma atenuada de isolacionismo. O que de certeza não fará bem nenhum ao mundo.»

 

Vasco Pulido Valente, Público

Como é que se faz?

João Gonçalves 13 Set 13



O prof. Maduro mandou divulgar as suas "ideias" sobre a RTP no jornal Público. De acordo com o texto, a "entidade genuinamente independente" que vai gerir a empresa a breve trecho será nomeada pelo Governo. Depois, a "entidade" escolherá os gestores por concurso ao qual deverão candidatar-se "pessoas com um perfil de reconhecido valor social e intelectual em áreas como a comunicação, gestão, economia, e preferencialmente sem ligações partidárias". Acrescenta-se que "a escolha dos administradores será sempre feita a partir de um processo de candidatura, individual ou em equipa, num concurso público sujeito a regras de escrutínio" semelhante ao que já existe para os cargos dirigentes do Estado e equiparados. A "entidade" trabalhará pro bono ("elementos não serão remunerados e poderão ser substituídos por um novo governo") e a RTP, como um todo, ficará aparentemente como estava e sempre esteve, desde os canais "tradicionais" de rádio e televisão até ao que no texto é denominado de "janelas regionais". Nenhuma palavra, porém, sobre serviço público de rádio e de televisão ou contéudos a não ser o que já se sabia ligando a televisão ou ouvindo a rádio. Uma vez mais a empresa sobreleva tudo porque é o que politicamente interessa. E como assim é, a jornalista deixa uma dúvida pertinente (imagino que já não faça parte do "roteiro para o futuro da RTP", um plágio filológico, pelo menos, dos "roteiros" presidenciais como que a sugerir ao Doutor Cavaco que perpetre um sobre serviço público e conteúdos o que talvez não fosse uma má ideia): "Com o fim da indemnização compensatória já este ano, o financiamento para 2014 continua a ser curto. Alberto da Ponte, que tem até ao fim do próximo ano para implementar o Plano de Desenvolvimento e Redimensionamento que implica grandes cortes na despesa, já disse que precisa de pelo menos 200 milhões de euros para 2014, e a Contribuição para o Audiovisual e as receitas próprias em que se inclui a publicidade chegam apenas aos 180 milhões. O ministro já se mostrou disposto a estudar uma solução com a administração, pelo menos para os canais internacionais. A chave poderá estar precisamente nos ministérios que venham a ficar envolvidos nesta parceria.» Por que é que não perguntam ao dr. Portas, o ministro de Tudo do "novo ciclo" e feroz adepto da RTP "deixa-estar-como-está-para-ver-como-é-que fica", como é que se faz?

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