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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Com e sem história

João Gonçalves 4 Set 13

 

À medida que, vagarosamente, leio a biografia de Richard Nixon mais me convenço que, entre os anos 60 do século passado e agora, a "história" empobreceu. Nem Nixon, por exemplo, era o monstro que a partir dele foi construído por esse terrível cruzamento entre um cavalo e um elefante que dá pelo nome de lugar-comum (Nabokov dixit), nem Kennedy foi jamais o imaculado "homem novo" que o mesmo lugar-comum forjou. Mas hoje, do derradeiro império à derradeira periferia, é tudo demasiado fraquinho, quase sem história.

Não pode falhar

João Gonçalves 4 Set 13

 

Quem assitiu às primeiras imagens do "périplo" do senhor vice PM com a senhora ministra das Finanças junto dos prestamistas externos, não deve ter deixado de reparar em dois ou três pormenores interessantes. Com Barroso, Portas e o seu anfitrião sentaram-se primeiro do que Maria Luís no gabinete do primeiro. Já eles trocavam sorridentes impressões quando alguém de lá indicou o lugar à ministra. Depois, cá fora, só Portas falou. Maria Luís estava a seu lado, naturalmente, mas apareceu uns segundos após o vice ter começado a falar com os jornalistas no registo íntimo do "vocês". Talvez isto se perceba. No dia em que a ministra tomava posse, Portas recusava-a demitindo-se por carta. O bluff acabou quando o dr. Passos lhe entregou a coordenação geral política do Executivo. Fê-lo para fora e para dentro. Para fora,  através da "coordenação" das relações com a troika o que o obriga - o país, mais do que o dr. Passos, confrontá-lo-á diariamente com isso - a que se comporte como um supra Gaspar. Está obrigado a "cumprir" o que foi dizendo, escrevendo e exigindo até Gaspar se afastar: reajustar o programa de "ajustamento", "requalificar" métodos e metas e, eventualmente, renegociar o fundo da questão, dívida e alcance do défice. Simultaneamente, e como também "coordena" a economia, deve compatibilizar politicamente a "parte externa" com o crescimento e a diminuição do desemprego em casa. Já não chega aparecer em meia dúzia de feiras internacionais ao lado de chouriços de porco preto ou de sapatos. Para juntar este complexo "in & out", Portas precisa ter mão na chamada "coordenação política" doméstica. Cela va de soi. Decerto porá um termo aos absurdos briefings do dr. Lomba e do prof. Maduro e tratará de garantir que ambos não se afastem muito do "desenvolvimento regional" que consta dos respectivos títulos governamentais. Aposto que não aceita menos do que Marques Guedes para o efeito e não se fala mais nisso. Tudo visto e ponderado, o que o senhor vice PM nos quis transmitir de Bruxelas - e amanhã ou depois de Washington - é que, como tanta gente, também ele já não tem mais começos. Agora não pode falhar.

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