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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Importa-se de repetir?

João Gonçalves 1 Set 13

Como referi no post anterior, não prestei muita atenção ao que o PM improvisou em Castelo de Vide. Por isso custa-me a acreditar que tenha colocado a seguinte questão: "já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu a Constituição até hoje?"

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A realidade vista de Castelo de Vide

João Gonçalves 1 Set 13

 

No momento em que escrevo, no café, o PM está a discursar em Castelo de Vide. Em directo, apenas o ouço porque o lcd está sobre a mesa em que me sento e não me apetece mudar só para ver o dr. Passos. Deduzo, pela conversa e pelo tom da conversa, que está a improvisar. Não consegue sair da "numerologia" com a qual enfrenta quase em exclusivo a realidade que é por natureza sempre adversa. E, como é recordado na última página do Público por T. S. Eliot, trata-se de uma coisa que a raça humana não pode suportar em doses cavalares.  Mas o PM inisiste em falar na "reforma do Estado" como se esta fosse uma realidade e não uma falácia (um termo que ele já usou duas vezes) escondida em termos como "requalificação", "rescisões", "despedimentos" ou "mobilidade". Pessoas, portanto, nunca organizações, o seu funcionamento, o seu controlo interno, a sua eficiência e eficácia. O ominoso princípio da confiança, tutelado pela Constituição, não "entra" na realidade do PM que julga que a "sociedade civil" é um oásis no meio de um conjunto de labregos, geralmente velhos que devem empobrecer até à sepultura, que se impõe "eliminar". O dr. Passos que "elimine" o Estado e deixe a luminosa "sociedade civil" entregue a si mesma e, de novo, a realidade entrar-lhe-á da pior forma na sua cabeça famosamente "liberal". Ora enquanto o dr. Passos revê improvisadamente a realidade para os jovens do PSD, a realidade encarregar-se-á de o rever primeiro.

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Tenta outra vez, fracassa melhor

João Gonçalves 1 Set 13

«Dos partidos, o PSD é o mais dividido quanto ao serviço de televisão do Estado: da privatização total à RTP como bandeira do Estado (e das elites partidárias), espelha as diferentes posições da sociedade e das elites. Dois governos PSD, o de Durão e o de Passos, começaram por propor um modelo minimalista para a RTP: privatização parcial ou entrega da gestão a privados ou diminuição dos canais... Ambos recuaram e mantiveram o status quo. Com o CDS no governo a defender o modelo vigente de RTP majestática, o governo de Passos abandonou o seu próprio plano, excepto quanto à redução do financiamento à taxa, acordada com a troika. Substituindo Relvas, Poiares Maduro coincide com todos os partidos parlamentares numa visão estatista da RTP: o Estado deve possuir a RTP como instrumento e bandeira; servir o Estado é mais importante do que servir aos cidadãos conteúdos de interesse público. Algumas propostas de Maduro vão no caminho correcto: as alterações devem dificultar ao poder político controlar conteúdos da RTP; o contrato de concessão (atrasado desde Janeiro) e a lei da TV devem concretizar o que o Estado entende por serviço público; deve fomentar-se a produção externa. Mas Maduro também quer manter a publicidade, que contamina estratégia, conteúdos e promove, em vez de contrariar, a comercialização da vida pública; mantém o aparelho burocrático de castas, que se auto-alimenta, e a ilegalidade actual dum "director-geral"; mantém ou expande o número de canais; busca mais receitas para essa expansão; parece optar por alterações que mudem alguma coisa para que o essencial se mantenha, ao menos no que toca à RTP como bandeira do Estado; e ignoramos se as propostas permitem garantir o essencial: conteúdos de interesse público. Mudanças cosméticas não resolvem o nó górdio do operador público. O povo afasta-se desta RTP que faz conteúdos para obter audiências, não para ter interesse público. As actuais e brutais alterações na tecnologia, oferta e consumo de conteúdos continuarão a empurrar a RTP para a irrelevância enquanto serviço público. Governo e partidos continuarão a ver o serviço público como instituição-RTP e como canais, quando o povo nem vê instituição nem vê canais, vê ou não vê conteúdos. A reforma anunciada da RTP é, por isso, um remendo condenado à partida. Continuaremos a pagar a falta de coragem, de visão e as concepções estatistas e antiquadas do governo e dos partidos. Fora de tempo, desajustada da realidade mediática actual, a reformazinha da RTP obrigará a outras no futuro. E sempre à nossa custa.»

 

Eduardo Cintra Torres, CM

 

Foto: "i"

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