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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O lapso

João Gonçalves 30 Set 13

 

O primeiro-ministro, por causa da saída de cena do dr. Gaspar e da "ameaça" do espectro governativo, o actual vice, remodelou o Governo em Julho com a aquiescência do Presidente da República. Saíram pessoas que sempre lhe foram leais - Relvas tinha sido removido em Abril - para entrarem (e ficarem, algumas "subindo") pessoas cujo papel nessa matéria (a da lealdade) ainda está por apurar. Apesar do resultado das autárquicas, Passos não tem qualquer margem para remodelar agora o que quer que seja. Aliás, o PR, depois de exercer o seu direito de voto, reiterou a sua opção de Julho, isto é, que o futuro do Governo não depende do resultado de ontem. Todavia, e sendo esta proposição presidencial formalmente correcta, decerto a longa experiência de Cavaco ter-lhe-á sussurrado duas coisas que o deixaram assustado. A primeira, é que não vai ser fácil ao Executivo do "novo ciclo" engolir até ao fim a cicuta que ele próprio fabricou. A "ruralização" do PSD e a profunda derrota nos grandes centros urbanos praticamente anularam o sucesso de Junho de 2011, deixando Passos mais isolado do que ele já estava no partido. Que "decresceu" aos olhos da nação quando o objectivo fundamental de qualquer aspirante a pastor da pátria é o de crescer do partido para fora. Como se isso não bastasse, das três coligações que Portas estabeleceu com o PSD, esta é a que ele mais execra. Agarrou-se como gato a bofe a cinco pequeninas câmaras, passou levemente pelos "sucessos" minguados das coligações autárquicas e fez questão de se colocar às cavalitas de Rui Moreira contra o mau exemplo de "contas" representado por Menezes. Ora isto conduz ao segundo aspecto a cair, mais tarde ou mais cedo, na agenda presidencial. Esta sopa turva de lentilhas não deixará de "impressionar" os credores que, por coincidência, andam por aí a somar e a subtrair. Ou os impagáveis "mercados". Ou, mesmo, esse decisivo documento político chamado OE 2014. Passos, afinal, não preparou nenhum ponto de partida com as infelicidades de Julho ao contrário do que insinuam, sempre que podem, os principais "ministros da propaganda", o prof. Maduro e o dr. Lima, embalados por dois ou três "degraus" da "escada" do crescimento que faz a permanente felicidade filológica do dr. Portas. E, indirectamente, do Doutor Cavaco. Ontem, lamentavelmente, o primeiro-ministro não deu sinais de ter entendido a realidade de que procurou em vão falar nas aparições da campanha. Vai pagar caro o lapso.

A tripla negação

João Gonçalves 30 Set 13

Não sei se o dr. Lima está minimamente familiarizado com a psicologia, a humana e a dita das "organizações". Mas admitindo fortemente que não esteja, um módico de bom senso recomendaria - e logo no dia seguinte a uma eleição que não foi propriamente um sucesso nacional para a coligação da qual ele emana - que não recorresse ao termo "segundo resgate" mesmo que fosse para o negar. E até o negou três vezes. Esta tripla negação tem antecedentes nomeadamente bíblicos que não deram bom resultado. Mas confiemos no dr. Lima que é apenas um homem. E, como todos os homens, sujeito à decepção e ao engano.

Os cavalos também se abatem

João Gonçalves 30 Set 13

Aí por volta das quatro da manhã, a traquitana que estava a contar os votos parou. Foram mobilizados os velhinhos telefones e as "forças da autoridade" (a pé, de carro e talvez "no dorso do animal") para ajudar na transmissão da contagem. Na altura estavam por atribuir quase trinta câmaras municipais. Parece que entretanto recomeçou. Um "especialista" explicou que, apesar da empregadoria partidária que representavam, é nestas alturas que se "nota" a falta dos extintos governos civis. Não estou de acordo. O que o episódio revela é que, em matéria de "progresso" e de "modernização", ainda há muito para fazer se é que alguma vez se fará. A remoção de freguesias e a a sua "reorganização" também ajudaram a tramar a traquitana. Talvez fosse melhor dirigir a chamada "requalificação" para coisas como esta - pode ser que o "guião" da "reforma" do dr. Portas o preveja - do que para "abater" pessoas. Até porque, desde ontem, ficou claro, passe a imagem, que os cavalos também se abatem.

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Os votos

João Gonçalves 29 Set 13

 

Desde Julho último - se não contarmos com o congresso do PSD do ano passado no qual o eng. Moreira da Silva ascendeu inexplicavelmente a "nº2" - que se andava a falar em um "novo ciclo". Numa tarde quente desse mês de Julho, o "novo ciclo" foi consagrado oficialmente no Hotel Tivoli em Lisboa. O Presidente da República empossou-o, ao "novo ciclo", uns dias depois. Pelo meio houve uma demissão a sério e uma demissão a brincar que o país está a pagar em prestações suaves. O PSD começou este domingo a pagar a sua. Ironicamente a extraordinária "coesão interna" e a "consistência" deste "novo ciclo" até nas autárquicas se manifestou. No Porto, por exemplo, o presidente do PSD apoiava o candidato que ficou em segundo ou terceiro lugar enquanto o presidente do CDS estava com o candidato vencedor. Em Lisboa, ambos perderam com estrondo por interposta má escolha. Em Sintra, o único sítio em que os dois dirigentes apareceram juntos, a coligação quedou-se por um humilhante terceiro lugar protagonizado por um vice-presidente do PSD. A hegemonia do PSD na Madeira também foi abalada com uma brutal perda de câmaras como a do Funchal. O CDS ganhou cinco câmaras, directamente, o que decerto é mais um reflexo daquela "coesão interna" e "consistência" coligatórias. Finalmente a própria coligação, enquanto tal, conseguiu a proeza de ser ultrapassada em presidências pela CDU.Tudo visto e ponderado, começou "outro" ciclo pelo menos para o PSD. Quem não perceber isto, meta explicador.

Tem graça, não tem?

João Gonçalves 29 Set 13

 

É provável que quem escolhe os filmes que a RTP passa fora de horas - na 1 ou na 2 - possua uma literacia distinta dos que escolhem outras coisas. Mas, para ver ou rever, ainda é do pouco de jeito que o "serviço público" oferece a soturnos como eu. O resto está sensivelmente bem analisado em meia dúzia de palavras do Eduardo Cintra Torres no Correio da Manhã. Ou nas três letrinhas que comandam o "modo de emprego" da informação da casa: "fun". «A empresa inquiriu espectadores que não vêem RTP para saber porquê. Obviamente, estes disseram que gostariam que a RTP fosse como o que vêem, a SIC e a TVI. Os (ir)responsáveis da RTP, que punham a mão no peito pela "estratégia" anterior, começaram a defender, sem vergonha, também de mão ao peito, a nova "estratégia": fazer a RTP como a SIC ou a TVI. O presidente da RTP disse em entrevista que é só fazer como ele fez para lançar a Mini da Sagres e, já está!, conquista-se os jovens. Na nova "estratégia", a RTP 1 aposta em: concursos, como ‘Sabe ou Não Sabe’, onde se ganha dinheiro por não se saber as respostas; três telenovelas por dia, piores que as dos privados; aumentar o ‘Telejornal’ (já está mais longo do que os dois concorrentes); acabar com programas de reportagem e entrevista; substituir notícias de política e economia por notícias "leves"; fazer da RTP 1 o CCC, Canal (Tony) Carreira & Continente. Em resumo: a "estratégia" é fazer TV comercial, em vez de alternativa. Não faz qualquer sentido num operador do Estado pago pelos contribuintes. Mas o governo insiste em mudar leis e papéis, enquanto deixa a empresa entregue a incompetentes sem o mínimo sentido de serviço e de respeito pelo povo e seus impostos.» Mais. «O presidente da BBC, Chris Patten, recomendou que se reduzam a metade as chefias da BBC. A RTP faz ao contrário: deixa sair técnicos e jornalistas competentes, mas nas chefias não toca. A elite parasitária defende-se. E finge: para enganar o governo, há chefias que desapareceram no papel, mas as mesmas pessoas exercem as mesmas funções com os mesmos salários.» Tem graça, não tem, prof. Maduro?

A mansidão

João Gonçalves 29 Set 13

O PR saiu da letargia que ultimamente o engoliu para vir defender a mudança da legislação eleitoral na véspera de uma eleição. O PR decerto não ignora que, à semelhança do que se passa com quase tudo o que o define, a dita legislação "é" um produto do regime a que ele preside com aquela original equanimidade do "isto não é nada comigo". Razão, pois, a Vasco Pulido Valente: "nós somos de facto um povo muito manso". E temos, por consequência, o que merecemos.

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Dia de reflexão

João Gonçalves 28 Set 13

 

Como é dia de reflexão, só se pode falar do chamado segundo resgate - do qual também não se pode falar apesar de ter sido o próprio primeiro-ministro a falar nele faz hoje oito dias e do dr. Portas ter dado o "tiro de partida" para a conversa no passado dia 2 de Julho - e da sra D. Iolanda Oliveira Costa.

 

Ilustração: Excertos do artigo de José Pacheco Pereira no jornal Público de sábado.

Votos

João Gonçalves 27 Set 13

 

Voto em Lisboa. Há quatro anos apoiei Pedro Santana Lopes e perdi. Agora apenas desejo que António Costa não obtenha uma maioria absoluta e que o dr. Roboredo fique longe como merece. No Porto, não gostaria de ver o despesista utópico do dr. Menezes substituir e dar cabo do trabalho de Rui Rio. Em Braga, Ricardo Rio merece acabar com o reinado absurdo do betoneiro Mesquita Machado. Em Gaia, Carlos Abreu Amorim vai pagar, não o despesismo do incumbente de saída, mas a cizânia no PSD - a câmara deve voltar para o PS. Barbosa de Melo, em Coimbra, pode não chegar para travar o regresso de Manuel Machado e do PS. Na Guarda, espero que Álvaro Amaro seja bem sucedido apesar da transumância de cernelha. Em Loures, acharia piada à vitória do meu vizinho Bernardino Soares (quem é que conhece o truculento Fernando Costa vindo das Caldas de balão?). Dizem-me que Marco Almeida, o "independente" do PSD, era o passador dos cheques do dr. Roboredo (razão pela qual conhece bem as freguesias rurais que lhe podem dar a vitória), mas entre ele e o dr. Basílio não hesitaria. Pedro Pinto não existe. Dar-me-ia um certo gozo se Paulo Vistas continuasse presidente em Oeiras ou Marcos Sá surpreendesse. Moita Flores nunca. Não sei quais são as hipóteses do meu amigo João Ribeiro, do PS, em Setúbal. O eleitorado "moderado" devia votar nele. O transumante da CDU em Évora é capaz de tirar a câmara ao PS e em Beja, Pulido Valente, outro que tal pelo PS, ficava bem. Com a saída de Macário em Faro, é natural que o PS reconquiste a edilidade. Sempre com Alberto João Jardim na Madeira e sempre contra César e os seu epígonos nos Açores. Finalmente Cascais, que alberga a minha praia favorita, fica tranquila nas mãos de Carlos Carreiras. No todo nacional, como diria o Doutor Salazar, vamos ver como é que os eleitores (a abstenção deve ser enorme) avaliam o "novo ciclo" e o dr. Seguro. Boa tarde e boa sorte.

"Uma estupidez sem nome"

João Gonçalves 27 Set 13

 

A meio de uma peça do Expresso sobre a "situação", um "colaborador próximo" do senhor vice PM classifica de "estupidez sem nome" a simples menção da hipótese de um segundo resgate. Porquê? O "colaborador próximo" explica. «É uma estupidez sem nome falar em segundo resgate, porque cria a percepção internacional de que já estamos à espera disto.» Mais. O "colaborador próximo de Portas" defende, pelo contrário, o "discurso de mobilização e motivação" (o das escadas) que o seu chefe anda a fazer aqui e ali. Ora aquilo que o "colaborador próximo" de Portas apelida de "estupidez sem nome" foi perpetrada, nem mais nem menos, pelo senhor PM, o dr. Passos Coelho. Assim, de repente, não é bonito, para dizer o menos, chamar "estúpido" ao presidente do PSD e primeiro-ministro da mesma coligação e do mesmo Governo onde o chefe do "colaborador próximo" é o número dois. Mas é neste "estado" semântico - de "credibilidade", "solidez", "consistência" e "coesão interna"- que a coligação (e indirectamente o Governo) chega a votos, um pouco por todo o lado, no domingo. Prometedor, não é?

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A batalha naval

João Gonçalves 26 Set 13

 

A Constituição em vigor não é fruto de geração espontânea. Muito menos o foram as sucessivas revisões constitucionais. Basta consultar um arquivo fotográfico para encontrar os protagonistas dos acordos entre os partidos - sobretudo o PS e o PSD - que viabilizaram aquelas revisões. Estão todos vivos, graças a Deus, e alguns ocupam ou ocuparam distintos cargos no regime. Os órgãos de soberania emanam dela e desempenham as respectivas funções à sombra dela. O Tribunal Constitucional, tal como o Governo, não é excepção. Pelo contrário, o TC (outra emanação dos referidos acordos) "vela" pelo seu cumprimento e quer o parlamento quer o Governo legislam de acordo com ela. Como dizia Medina Carreira, a Constituição foi feita no âmbito do escudo. E no âmbito de uma série de coisas que aparentemente os partidos acharam por bem manter a título quase programático. Não passou pela "cabeça" da Constituição que íamos chegar praticamente à falência. Nem tão pouco que teríamos de passar por um "país de programa" em ambiente de crise europeia e mundial. O Tribunal Constitucional e o Governo, por causa destas derradeiras contingências, entraram em modo de batalha naval com a Constituição a fazer de jangada. Algumas decisões políticas legítimas do Governo foram "judicializadas" e algumas decisões jurisprudenciais do Tribunal, igualmente legítimas, foram "politizadas". Como na batalha naval em papel, umas vezes os "tiros" são num barco de um, de dois ou de três canos, e outras no do quatro ou no porta-aviões, com "disparos" de ambos os lados. Hoje foi um destes casos com aspectos da legislação laboral. E outros virão já de seguida.

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