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portugal dos pequeninos

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Descer à terra queimada

João Gonçalves 24 Ago 13

Talvez para "comemorar" um mês de "novo ciclo", o primeiro-ministro, vestido de presidente do PSD, apareceu ao princípio da noite em Sintra. Estava muito contente com a execução orçamental, com os números e, presumivelmente, muito contente com o seu próprio "número". Atrás dele viam-se os drs. Seara e Pedro Pinto, respectivamente o homem de saída de Sintra (mas que tem os "dois pés" em Lisboa) e o homem que não chegará a entrar em Sintra. Alguém devia aconselhar o dr. Passos Coelho a manifestar-se sobre os incêndios e, pelos menos, a dar um abraço simbólico ao bombeiro anónimo e ao cidadão anónimo, "descendo" literalmente à terra queimada. Mas o dr. Passos, cuja maior vantagem em 2011 era aparentar uma pessoa "normal", transformou-se entretanto num político frio e puramente cibernético. Ainda vai a tempo de perceber que há vida, mundo e morte para além das folhas de cálculo e do deslumbramento pueril.

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"O som de animais estranhos"

João Gonçalves 24 Ago 13

 

Passa hoje precisamente um mês sobre a tomada de posse do novo governo do dr. Passos Coelho. Fora a animação proporcionada por dois secretários de Estado, um ex,  o "comercial" dr. Jorge, e um ainda em funções, o dr. Lomba, os primeiros trinta dias do "novo ciclo" passaram tão despercebidos como os novos ministros escolhidos precisamente para ornamentar a "fase" que nos irá libertar da miséria e da má língua dos velhos do antigo Restelo. Um deles, o dr. Machete, só não passou mais por culpa própria: não tinha "arrumado" bem os seus papéis pessoais. Quanto ao dr. Lima, o aclamado midas da economia, apareceu aqui ou ali a crédito de uns quantos "resultados" de um trimestre onde ainda era assalariado do Sr. Violas. A título pessoal, gostaria de ver o IVA na restauração descer embora, como ele rapidamente intuiu, não dependa de si o que deve ter deixado alguns dos seus admiradores um pouco desiludidos. Nem isso nem uma data de outras coisas como atempadamente perceberão. O dr. Moreira da Silva só foi avistado em Belém precisamente a tomar posse sob o olhar embevecido do Doutor Cavaco. E o senhor vice esteve sobretudo ocupado em instalar-se nas Laranjeiras e, de acordo com o seu hagiógrafo autorizado Filipe Santos Costa (do Expresso), em "montar" uma "torre de controlo para acelerar o investimento" (sic).  É claro que o dr. Rosalino - este sábado também com uma bonita redacção em português acordográfico sobre o que na sua simpática cabeça passa por "reforma do Estado" e que toda a gente já entendeu, graças à "espontaneidade" oratória do dr. Passos no Pontal, o que é - não parou um segundo à semelhança dos seus colegas ajudantes do prof. Crato que prometem um radioso início de ano lectivo. Quem acompanhou a saga de Julho por dentro, só por idiotia simples ou manifesta necessidade é que pode acreditar neste admirável mundo novo que começou numa tórrida tarde de sábado no Hotel Tivoli. Mas devolvamos a palavra à hagiografia do senhor vice porque, em três ou quatro linhas, Santos Costa resume tão devotada quanto eloquentemente este prolegómeno mensal do exercício. «O gabinete do vice-primeiro-ministro, com as suas oito portas, parece pouco adequado a funções governativas, mas seguramente invoca esses tempos de corropio, no início do século XIX. Por outro lado, Portas já não viajará tanto para destinos exóticos, mas não lhe faltará o som de animais estranhos, pois o seu gabinete dá para os jardins que confinam com o Jardim Zoológico de Lisboa.» Não lhe faltará, pode ter a certeza.

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