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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

As razões de Deus e do Diabo

João Gonçalves 21 Ago 13

A convite do Joaquim Sapinho assisti, na Cinemateca, à apresentação do seu belíssimo Deste Lado da Ressurreição. O actual secretário de Estado da Cultura tinha acabado de substituir o Francisco José Viegas e assistiu à sessão. Maria João Seixas, a directora da casa, não se poupou no acrisolado encómio que dirigiu a Barreto Xavier, apresentado por ela e por contraposição evidente a Viegas, como o novo "salvador" da Cinemateca. Aliás, dizia a senhora, a presença dele no evento era a prova da sua dedicação à "causa" do cinema e, muito particularmente, à casa. Entretanto Xavier aparentemente "perdeu" mais tempo a trazer para os jornais coisas que não interessavam nada do que a "salvar" a Maria João Seixas. E a "cultura" pouco mais tem sido do que a Vasconcelos e um cacilheiro por sinal também da Vasconcelos. Soube-se agora que a Cinemateca e o ANIM - para onde devia ir o arquivo da RTP como atempadamente sugeri em vão a quem de direito - não têm dinheiro sequer para mandar cantar um cego. Imagino que a Seixas não verteria a mesma honesta baba que verteu "naquele" lado da resssurreição. Xavier promete que não "fecha" sem grandes detalhes porque sabe que não é ele quem distribui a mercearia que, para já, ainda é a do OE de 2013. Pense-se na de 2014. «Quando sabemos o que devemos fazer, encontramos razões para não o fazer. Essas razões não são de Deus, são do Diabo.»

O cadeirão

João Gonçalves 21 Ago 13

 

Foi publicada a lei orgânica do novo governo empossado a 24 de Julho último. De acordo com o Jornal de Negócios, «a expressão "vice-primeiro-ministro" é encontrada 31 vezes no documento, mas nada é dito sobre as suas funções específicas. "O Vice-Primeiro-Ministro é coadjuvado no exercício das suas funções pelo Secretário de Estado Adjunto do Vice-Primeiro-Ministro e pela Subsecretária de Estado Adjunta do Vice-Primeiro-Ministro« e «o Vice-Primeiro-Ministro, as ministras e os ministros têm a competência própria que a lei lhes confere e a competência que lhes seja delegada pelo Conselho de Ministros ou pelo Primeiro-Ministro.» Os últimos VPM's de que me recordo - Mota Pinto, Machete e Eurico de Melo - acumulavam  o título com uma pasta, normalmente a Defesa, porque nesse tempo ainda havia tropa e serviço militar obrigatório, coisa com que o actual vice prontamente acabou (em nome do populismo dos votos) quando passou pela Avenida da Ilha da Madeira. Em suma, o actual vice aparentemente limita-se a ocupar um cadeirão num palácio a partir do qual assegura que os "seus" não são desconsiderados na ecologia do "acordo do Tivoli". Pelos vistos é mais "vigiado" do que "vigia". É bem feito.

"Eles" e "nós"

João Gonçalves 21 Ago 13

 

Tenho andado a ler mais "literatura" política do que outra qualquer. Não é impunemente que se trabalha dois anos para um governo - mesmo para "este" governo "deste" país - sem resistir a algumas "comparações". Dizia-me ontem um amigo, sensivelmente a fazer a mesma coisa, que tinha andado por uma biografia do De Gaulle. Lá vinha a famosa "decisão irrevogável" de ir embora. Homens grandes como De Gaulle tomavam decisões e se eram, como foi a derradeira, "irrevogáveis", eram mesmo. Nunca lhe passaria pela cabeça declinar "irrévocable" como exactamente o oposto embora pequenos candidatos a epígonos o façam como se falassem de alfaces por agriões. Este exercício, para além de valer à minha literacia política e histórica, também me ajuda a encontrar um "tom" para colocar em letra de forma os dias e as horas destes dois anos. Dantes esperava-se décadas antes de fazer uma coisa dessas, mas hoje ninguém falaria dos actuais protagonistas daqui a, vamos lá, uns dez anos a não ser a título de meia dúzia de vagas notas de rodapé. Está prometido ao país um deadline para 2015 o que, num país sem memória, é amanhã. Uma gramática, ou um dicionário, do que para aí anda é quase um dever de cidadania para evitar maiores desastres. Há dias revi, neste contexto o filme Nixon de Oliver Stone. E leio-lhe uma biografia. Antes de anunciar ao país a sua demissão, em Agosto de 1974, Nixon/Anthony Hopkins passa pelo retrato de J. F. Kennedy na Casa Branca. Comenta: "tu és o que eles (os americanos) sempre sonharam ser, e eu sou o que eles são". Talvez Stone se tivesse inspirado numa curta alusão de Gore Vidal, num artigo sobre Nixon, escrito sensivelmente na mesma altura em que o lado "negro" do 37º Presidente dos EUA começou a revelar-se: "somos Nixon e ele é o que nós somos". Esqueçamos os nomes e vejam lá se, afinal, "eles" são ou não são o que nós somos. E se nós somos ou não somos o que "eles" são. Vem em qualquer vulgata democrática.

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