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portugal dos pequeninos

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Estados

João Gonçalves 17 Ago 13

 

Entre outras leituras, uma releitura "at random". O livro que junta os ensaios de Gore Vidal entre 1952 e 1992, United States, agrupado em três partes, a saber, "o estado da arte", "o estado da União" e "o estado do ser". Alguns textos, escritos nos idos de 60 sobre política e políticos norte-americanos, podem ser lidos neste querido mês de Agosto de 2013 a "pensar" na nossa pobre política doméstica. Basta passar os olhos, por exemplo, pelo caderno principal do hebdomadário Expresso. Não existe grande distância em matéria de grotesco independentemente dos "estados".

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A paz dos cemitérios?

João Gonçalves 17 Ago 13

 

No canal ARTE. ontem, serão adentro, transmitiu-se em directo o Don Carlo de Verdi, a partir do Festival de Salzurgo. É a grande ou pelo menos uma das maiores óperas "políticas" do grande Mestre italiano apesar do libreto se basear numa obra de Schiller. Há um momento decisivo no qual Filipe - que também mandou cá - é interpelado pelo Marquês de Posa, íntimo do príncipe protagonista, sobre o que pretende fazer com os domínios flamengos do império. Filipe afirma que o seu "projecto" é idêntico ao que pratica na "sede" - a paz. Posa responde-lhe desafiadoramente: "a paz dos cemitérios?". È notório que Posa não acabou bem. Filipe logo ali lhe atirou à cara com o Grande Inquisidor que, com a proficiência dos séculos e do espírito, tratou de tudo. Enquanto Posa jazia varado por uma bala traiçoeira, no derradeiro acto, com Carlos (o excelente Jonas Kaufmann) a ampará-lo, num remoto cantinho do antigo império "onde o sol nunca se punha", Quarteira, o primeiro-ministro de Portugal perpetrava um "discurso", entre o improvisado e a papeleta, o qual, com as devidas adaptações de tempo, modo e lugar fazia lembrar o da "paz dos cemitérios" do outro. Apesar de rodeado de "académicos" - desde ministros a secretários de Estado do "novo ciclo" passando pelo seu próprio staff -, o primeiro-ministro parece exibir alguma dificuldade em lidar com a realidade que também é, mal ou bem, jurídica. Se para alguma coisa serve o Direito é para criar nas pessoas pelo menos a sensação da certeza e da segurança. Até o autor da famosa expressão "forças de bloqueio" entendeu devidamente o que é que certeza e segurança jurídicas querem dizer caso contrário não colocava, por exemplo, questões ao Tribunal Constitucional. Nomeadamente, e para citar o próprio chefe do governo, quando há "riscos". Em democracia felizmente todos os dias há riscos, tentativas e erros. O oposto, por muito aborrecido que seja, é a paz dos cemitérios.

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