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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

O ausente

João Gonçalves 16 Ago 13

Este é o primeiro "calçadão", em três anos, no qual Miguel Relvas não estará nem ao lado nem por trás de Passos Coelho. Muitos dos que aparecerão em Quarteira a babujar o líder decerto agradecem tamanha fartura. Na verdade, e valendo as coisas e as pessoas o que valem ou deixam de valer, Relvas nunca foi substituído neste tandem com o actual presidente do PSD. Nem podia. Com a sua saída de cena, Passos ficou sozinho apesar da recente recuperação partidária de Marco António. Nenhuma das luminárias que ele inventou (ou que lhe inventaram) para o partido ou para o governo preenche o lugar deixado vago pelo antigo ministro adjunto. Curiosamente um lugar que o "ajudava" mais de fora para dentro do que de dentro para fora. Dito de outra forma, blindava-o. Ninguém imagina quem quer que seja no seu gabinete apolíneo e apolítico - ou na actual Gomes Teixeira - a fazer isso. Passos achou que a "academia" o protegia melhor da "vida real" - da qual ele parece ter verdadeiro horror - do que o voluntarismo leal, mesmo quando mais "trapalhão", de Relvas. O tempo, esse diabo sedento, tem-se encarregado de lhe demonstrar que não é assim. Em política, como em praticamente  todas as manifestações da vontade dita humana, não existe gratidão. E o mais amável dos dirigentes acaba sempre, aqui ou ali, por triturar amizades e cumplicidades para sobreviver. Suetónio explica, em regime de pensão completa, este "estado" complexo do poder e dos homens a propósito dos doze césares. Mas a Passos basta a imagem do calçadão de Quarteira para entendermos  tudo.

"A reforma do Estado"

João Gonçalves 16 Ago 13

«Em princípio parecia que os portugueses estavam no seu pleníssimo direito de saber que espécie de Estado se prepara e de se pronunciar na Assembleia da República (ou num referendo) sobre a forma e as funções da autoridade que manda e continuará a mandar neles. Mas, como se vê, o governo só se lembra deles para pedir dinheiro. Sobre a organização colectiva da sociedade não diz palavra. O segredo traz grandes vantagens: impede protestos, não permite discussões sobre alternativas, retira de cima da mesa interesses legítimos. O sr. Passos Coelho e o sr. Paulo Portas ficam com inteira liberdade para estabelecer um regime que os contente e orgulhe, à revelia do país. Não se percebe também a oposição e, nomeadamente, o PS. Mais tarde ou mais cedo, o PS acabará por governar com o Estado que herdar do sr. Coelho e do sr. Portas. Descobrirá, nessa altura, o sarilho em que se meteu ou para que foi empurrado. Infelizmente não ocorre à cabeça de nenhum privilegiado cacique daquela tribo que o chamado "guião" desça do Conselho de Ministros (que hoje, aliás, mostra um especial amor ao briefing) à discussão na Assembleia da República. Falando muito sobre irrelevâncias, nunca o PS se digna ir direito ao ponto. Espera com certeza afastar com um gesto majestático o Estado que eventualmente lhe cair nas mãos, no mesmo segredo que se usa agora. Também ele não gosta, nem pratica a tal democracia em cujo nome discursa na televisão e nos comícios.»

 

Vasco Pulido Valente, Público

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