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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A feira de vaidades

João Gonçalves 9 Ago 13

Da mesma maneira que Crato serviu, fria, a cabeça de Miguel Relvas na bandeja de um relatório ad hominem a Passos Coelho - que prontamente a aceitou -, também a sua nova prótese direita exigiu desde o primeiro minuto a cabeça de Álvaro Santos Pereira (com a conivência de muita gente mas isso fica para outra ocasião). Como não o conseguiu imediatamente, reclamou e obteve a tutela sobre o holograma de Freitas do Amaral (a expressão é de António Nogueira Leite para descrever o amável dr. Pedro Reis, da AICEP) para o acompanhar nas suas dembulações ditas de "diplomacia económica" cujos "frutos" conviria, um dia, avaliar fora das meras poses para a fotografia e para a televisão. Sucede que o caderno de reivindicações do dr. Lima incluia a AICEP e, agora, o senhor vice PM terá de partilhar o dr. Reis com o seu amigo e com o dr. Machete que, juntos, pesam bem mais do que pesava o então ominoso Santos Pereira. Seria tudo cómico se não fosse tragico. E é trágico porque revela - como se fosse preciso - que o país depende, entre outras coisas, desta ridícula feira de vaidades.

Um novo Portugal

João Gonçalves 9 Ago 13

 

«O Diário de João Chagas, publicado postumamente depois do "28 de Maio", é um dos melhores livros de memórias políticas de uma literatura que não se distingue no género. Chagas tinha sido um dos participantes na tentativa de revolução de 1891, degredado para África, exilado e revolucionário do "5 de Outubro", além de ser também, e até ao fim, um admirável escritor (que hoje, evidentemente, ninguém lê). Em 1914, embaixador em Paris, observando de longe as desordens da pátria, começou o Diário, que, no fundo, não passa da história da sua desilusão com a República, por que tanto tinha esperado e sofrido. Essa desilusão, que não seria estranha a uma boa parte do partido liberal, nem à gente da Monarquia no fim do século XIX, aparece agora outra vez nos poucos sobreviventes da ditadura, que receberam o "25 de Abril" como a esperança de um novo Portugal e a justificação de uma vida.» O artigo de Vasco Pulido Valente continua no Público e termina nos dias de hoje. Porventura algum leitor poderá acabá-lo. Uma coisa é certa. Tal como nunca chegou a nascer o "novo homem português" do Doutor Cavaco, da mesma forma que a "paixão pela educação" e o imenso "coração" do eng. Guterres não conduziram o país a parte alguma, ou a robótica "modernizadora" e autoritária do eng. Sócrates também não, Passos Coelho, atado de pés e mãos numa mistifiação autocomplacente de "coesão e solidez", é a nova desilusão portuguesa que, ajudada pela troika, nos levará, uma vez mais, até um "novo Portugal". Para já, esteve ontem o tempo suficiente na Gomes Teixeira para perceber que se equivocou quanto ao "futuro" da segunda fase da legislatura que tão brilhantemente abriu há quinze dias sob o alto patrocínio da sua nova prótese direita (sim, aquilo não é manifestamente um braço e muito menos direito) e do Senhor Presidente da República. Quem sobrar para ver e contar, o dirá.

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