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portugal dos pequeninos

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A morte de um caixeiro viajante

João Gonçalves 6 Ago 13

Estava no café - as minhas "férias", sem o menor prazer nelas, passam-se no espaço de umas poucas dezenas de metros quadrados entre casa e o café que costumo frequentar - e, simultaneamente, um profissional "comercial" da Nescafé instalava e explicava uma nova máquina de cafés gelados. Ocorreu-me o termo "comercial" quando li este texto. Não vem mal ao mundo vender um produto ou um serviço a quem quer que seja. É uma profissão tão honrada e honesta como outra qualquer. E se isso for assumido com normalidade, tanto melhor. Ora não é manifestamente o que se passa na distância profissional (e política) que separa o descrito no texto e a actualidade. E essa fractura pode ser suficiente para ditar a morte de um caixeiro viajante.

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Acabem com isso

João Gonçalves 6 Ago 13

Por um acaso do destino, escrevo ao mesmo tempo que o Pedro Lomba fala em directo num briefing estival. Está-se mesmo a ver qual é o "assunto". A minha experiência profissional diz-me que o artíficio vocabular, por mais talentoso que seja, não serve para nada quando persiste uma dúvida, por mais pequena que seja. Lomba fala em "inconsistências" e em "averiguações" sobre essas "inconsistências" para chegar à estafada verdade bíblica. É atirado inutilmente para o exercício destes briefings politicamente assassinos para quem os protagoniza. Ninguém explicou ao Lomba que não se fala de cordas em casa de enforcado. Acabem com isso.

Siga Ulisses

João Gonçalves 6 Ago 13



Octávio dos Santos, que o traduziu, recorda aqui o aniversário de Lord Alfred Tennyson. Há um poema dele de que muito gosto, Ulisses, que epigrafa adequadamente o tempo que passa, o meu tempo que passa, sempre um tempo perdido. Tal como o "homem sem qualidades", de Musil - não era bem assim, mas -, este é um país a caminho de se tornar numa pátria sem qualidades. A raça famosamente não se recomenda, as "elites" nem para bater claras em castelo servem, o que resta do "Estado" vai ser desmantelado menos no que interesse às sinecuras "externas", a "sociedade civil", essa velha prostituta que não sobrevive sem ele por causa das sinecuras, é uma pobre mula sem cabeça, a "cultura" não passa de uma mistificação que gira por entre capelas, a "escola" do prof. Crato, esse grande campeão nacional contra o "eduquês", transformou-se num amontoado burocrático que prepara analfabetos simples e funcionais e, por fim, o Presidente da República revolucionou simbolicamente os poderes e a autoridade de qualquer monarquia europeia ou, mesmo, africana. Em suma, quem puder sair deste charco, não hesite. E siga os versos de Tennyson que é como quem diz, Ulisses.

 

Though much is taken, much abides; and though
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven; that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.

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