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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"Inscrições"

João Gonçalves 5 Ago 13

Apanhei José Gil no telejornal do Mário Crespo. Discutia-se a verdade a propósito de produtos derivados, mais conhecidos por swaps. Mais concretamente, uma pessoa e a sua alegadamente difícil relação com a verdade. Nunca é de mais recordar uma das mais célebres perguntas da Bíblia, "o que é a verdade?", de Pilatos dirigida a Jesus e como a conversa terminou. Mais terreno como sempre, Gil comentou tudo na base da "inscrição" e da "não inscrição". Por exemplo, a pessoa em causa não se terá "inscrito" no lastro da verdade filosófica segundo José Gil (e Mário Crespo, com base nuns documentos "a que a sic teve acesso"). E Vítor Gaspar terá falhado a "inscrição" como denotou a sua pesada demissão. Não sei, mas cheira-me que esta sucessão de  "inscrições" e de "não inscrições" não vai acabar bem.

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Umas férias

João Gonçalves 5 Ago 13

As minhas férias são o meu cão e o meu cão é as minhas férias.

Um castigo do verão

João Gonçalves 5 Ago 13

 

De papo para o ar, o "povo" apenas conta as horas para comer, para poder meter o rabo na água e ler as revistas "pink" onde se contam as histórias dos novos "vip" inventados nas televisões. Não se maça, evidentemente, com a vida dos bancos - ou do chamado sistema financeiro no qual teve origem a famosíssima "crise" - onde, presume, uma meia dúzia de cabeças particularmente dotadas tratam do assunto. Sucede que não há papo para o ar na banca nacional. Nem sossego nessas cabecinhas iluminadas ou tão pouco em muitos dos trabalhadores do sector. Assim como quem não quer a coisa, a "nata" da banca nacional registou, ao mesmo tempo da entrada na água dos múltiplos rabinhos felizes dos portugueses, um prejuízo global da ordem dos mil milhões de euros e já despediu, por junto, mais de quatrocentas pessoas. É uma espécie de castigo do verão que se pagará lá mais para diante quando a realidade regressar em força como sempre regressa.

«O que pensa deste Governo?

(risos) Já deu o que tinha a dar, mas como foi eleito por quatro anos, pronto...

Deu-lhe força quando ele apresentou a demissão?

Dei. Como a minha mãe me dizia muitas vezes, e eu considero a minha mãe um exemplo, "filha, eu não estou de acordo com isso, mas se é isso que queres fazer, seja qual for o resultado, estou solidária contigo".

Mas no seu caso estava de acordo...

No meu caso estava de acordo, aliás, já desde Setembro do ano passado.

Estava com esperança que ele saísse definitivamente...

Ah!... Com uma esperança que me levaria a Fátima. Tinha uma esperança enorme que acontecesse com ele o que aconteceu com o pai: a ruptura.

Como é que Paulo Portas apresenta uma demissão irrevogável e volta atrás? O que acha que aconteceu?

Como cidadã, acho que ele teve exactamente o mesmo problema que teve o Gaspar: saiu-lhe a tampa.

E a causadora desse saltar de tampa terá sido a nova ministra das Finanças?

Não terá sido exactamente isso, mas a nova ministra das Finanças, que eu não tenho a honra de conhecer, mas que estudou na casa onde eu ensinei, por pouco não foi minha aluna, não me lembro da cara dela e o nome não me diz nada... mas sei lá. O problema do Paulo, em relação à dra. Maria Luís, não é um problema da dra. Maria Luís, personificado. Ele não concordava com a política que estava a ser seguida pelo ministro Vítor Gaspar e a dra. Maria Luís é a continuadora dessa política.

Agora com o Paulo como vice-primeiro-ministro, como coordenador da área económica, como coordenador nas relações com a ‘troika', como responsável pela reforma do Estado...

É uma brutalidade de uma pasta. Se tem arcaboiço para isso? Tem, disso não tenha dúvida! Há uma coisa que eu garanto, o Paulo é o ‘bulldozer' de trabalho, não tem mulher, não tem filhos, não tem nada. O Paulo está casado com a política. Nesse aspecto, não é isso que me preocupa. Preocupa-me um dia poder dar-lhe um AVC e ir desta para melhor. Agora se vai ser capaz ou não... Isto é um assunto que vai ter de ser gerido com pinças, porque se a dra. Maria Luís Albuquerque conseguir perceber que aquilo que estava em causa não era ela, mas a política que ela podia representar, é uma coisa. Se ela não conseguir perceber isso...

Acha que ao ter voltado atrás pode ser um obstáculo?

Nós sabemos muito pouco do que está por trás de todas estas coisas.

Houve aqui muitos romances?

Eu acho que houve aqui muitos romances. Para o Paulo voltar atrás com uma decisão, há-de ter tido alguma garantia suponho eu, estou a falar como cidadã e não como mãe, de que não entrará em conflito. Algumas coisas devem ter sido combinadas de maneira a garantir a posição da dra. Maria Luís e a garantir a posição do Paulo. Eu acho que - e digo-lhe o que disse a ele - uma coligação em que o segundo partido da coligação é o terceiro elemento do Governo não lembra a um careca. Lembrou ao Dr. Passos Coelho e o Paulo aceitou. Fez mal!»

 

Excertos de uma entrevista de Helena Sacadura Cabral a Cristina Esteves, Diário Económico

 

«Assumindo nutrir simpatia pessoal por José Sócrates, Helena Sacadura Cabral diz haver um elo comum entre Sócrates e Paulo Portas: ambos têm má imprensa.»

 

idem, Jornal de Negócios

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