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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"Fica tudo na boa"

João Gonçalves 3 Ago 13



«O governo diz que já cortou 2 mil milhões nas rendas da energia. Não chega?

Em matéria de rendas excessivas, o ex-ministro Álvaro Santos Pereira, cuja coragem e integridade gostaria de realçar, tentou mas não teve força política para combater este lóbi. Das três componentes de rendas excessivas que urgia combater, os CMEC (custos de manutenção do equilíbrio contratual) da EDP, os preços políticos das eólicas e das co-geração, a única que ele atacou foi o preço das co-gerações industriais. Percebemos que os lóbis das eólicas e da EDP tinham força suficiente para influenciar o governo. Aliás, o ex- -ministro Santos Pereira veio confessar há pouco tempo que houve aberturas de garrafa de champanhe na EDP e no lóbi eólico por causa da demissão do engenheiro Henrique Gomes de secretário de Estado da Energia.

Essas declarações deveriam ter tido consequências?

Neste país não há incentivos nem penalizações. Fica tudo na boa. Com a nomeação do engenheiro Jorge Moreira da Silva, que está convencido que o problema do país é o CO2, acho que se voltaram a abrir garrafas de champanhe na EDP e no lóbi eólico.

O governo queria vender bem a EDP.

O ex-secretário de Estado Henrique Gomes já o disse de forma enfática: como o défice tarifário não conta para o Orçamento do Estado, mas sim para a competitividade da economia, o ministro das Finanças foi na conversa do Dr. Mexia e, em nome dessa operação de venda da EDP, não se fez nada. Escrevi uma carta, em nome do núcleo de pessoas que lançaram o manifesto da política energética, aos ministros das Finanças, da Economia e ao primeiro--ministro a lembrar que deviam atacar as rendas excessivas antes da privatização da EDP porque depois era mais complicado. Podem perder alguns milhões de euros, mas tomem nota que isto traz um sério problema de competitividade às empresas, portanto vão perder por aí. Mas não nos ligaram nenhuma, nem sequer responderam. O que se está a passar em termos de défice tarifário mostra que as nossas preocupações eram válidas. O governo espanhol está a cortar forte e feio em eólicas, solares, nas remunerações das empresas de electricidade - a EDP está a apanhar por tabela em Espanha -, o que mostra que há uma consciência do mesmo problema, embora a outra escala. A nossa dívida tarifária é de 4 mil milhões de euros, a espanhola anda nos 20 mil milhões. Mas o problema foi o mesmo: um excesso da aposta nas tecnologias intermitentes (como as renováveis). Estas tecnologias precisam de duas muletas: centrais de bombagem de noite para armazenar e centrais térmicas de dia e geram sobrecustos.»



Só mesmo nesta original periferia europeia é que o "prémio" por tão extravagante comportamento político é estar quinze dias à frente de um governo que ainda há pouco se queria derrubar. Talvez por isso, nesta sondagem, «a solução preferida dos portugueses [fosse] a realização de eleições antecipadas.» Talvez.

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O céu é o limite

João Gonçalves 3 Ago 13



Este naco de prosa da primeira página do Expresso resume o essencial. Sem o "implacável Vitor Gaspar", o céu é o limite. E o limite é o famoso "novo ciclo" aqui dito "económico" mas, na verdade, eleitoral. É só disso que se trata daqui para diante com o "arco e balão da governabilidade".

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O longo caminho do nosso empobrecimento

João Gonçalves 3 Ago 13



«Se em 2011, quando de repente se descobriu a extensão da nossa miséria houve uma crise, agora não há crise nenhuma, há o longo caminho do nosso empobrecimento que nem Cavaco, nem os partidos conseguirão parar. Durante anos, se tivermos sorte, veremos o espectáculo patético de um governo a sair e outro a entrar, excitando os comentadores e deixando os portugueses cada vez pior. Os portões de Belém vão abrir e fechar como nunca abriram ou fecharam antes. Cá fora, a gritaria irá diminuindo. Não existe grande risco para o regime, porque não existe qualquer alternativa: ninguém hoje acredita na República, no comunismo ou na ditadura. De resto, o Exército, profissionalizado e pacífico, não é capaz de um verdadeiro "golpe" e menos de tomar conta dos sarilhos correntes.»

 

Vasco Pulido Valente, Público

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