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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU


Na RTP1, por volta das 23h. Boa noite e boa sorte.

Pesos pesados e pesos pluma

João Gonçalves 28 Jul 13

Neste fim de semana político-televisivo, Marques Mendes e Marcelo já "oficializaram" o próximo "Álvaro", Maria Luís Albuquerque. Os amigos, como sempre (sobretudo os de Peniche), são para as ocasiões.

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Asco

João Gonçalves 28 Jul 13



«Vive-se ali em estado mais puro. "É como brincar aos pobrezinhos, diz Cristina Espírito Santo".»

Imperdoável

João Gonçalves 28 Jul 13

 

Julgo que alguns leitores ainda não repararam na epígrafe que encima este blogue. Repito-a. «Eu não perdoo a ninguém a mediocridade, a estupidez, a vileza, a malignidade, a incultura, a suficiência, a intolerância, o espírito de compromisso, a cobardia moral, etc.» - Jorge de Sena, entrevista a O Tempo e o Modo, Abril de 1968. Por consequência, não perdoo (e não tem nada a ver comigo, pessoal ou profissionalmente falando) aquilo que o insuspeito Público de domingo resume muito bem. «Não deixa de ser uma injustiça, pense-se o que se pensar dele, que um governo que decide enfatizar um discurso no que toca à economia dispense Álvaro Santos Pereira sem a mínima justificação, pública ou privada. Foi ele, aliás, o único ministro cuja "cabeça" rolou nesta remodelação, coisa que ele assinalou de forma silenciosa, não comparecendo à tomada de posse dos novos ministros. Porém, tal como sucedeu com Vítor Gaspar, mal Álvaro Santos Pereira saiu de cena, Portugal deixou de falar dele, como se não tivesse existido". E o Público acrescenta: «ele contribuiu para isso, com excentricidades em demasia, e foi isso que o tornou rapidamente dispensável. E dispensado.» Ora isto, acrescento eu, diz mais sobre quem o dispensou do que sobre ele. 

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A "União Nacional"

João Gonçalves 28 Jul 13


Em menos de 48 horas, o primeiro-ministro apelou à "união nacional" sobretudo a pensar no PS. O termo, na história contemporânea de Portugal, tem uma conotação que, apesar de o gabinete do PM ser desprovido de assessoria cultural, é de domínio relativamente público. Se "consenso" e pastelões filológicos semelhantes já aborrecem - porque denotam o horror ao conflito e ao adversarial inerentes às democracias adultas -, a "união nacional" remete desnecessariamente para uma realidade histórica instaurada para liquidar, em nome dela, a actividade partidária diversificada. É evidente que alguém forjado nessa actividade, como o actual PM, não está a pensar nisso e, até, deseja o oposto. Mas conviria, neste e noutros aspectos, cuidar um pouco mais da linguagem. Já se nota a falta de Bruno Maçães - o antigo adjunto e "redactor de discursos do PM" (um item que incluiu no currículo em língua inglesa que entregou para divulgação aquando da sua escolha para membro do Governo, segundo o Público,) -, manifestamente um cosmopolita, na entourage de São Bento.

We are the world, we are the children

João Gonçalves 28 Jul 13



«Então o senhor professor subiu a uns calhaus no meio do mar enquanto o Tozé foi brincar com o Pedrito e o Paulinho. O pior é que depois o Tozé aborreceu-se e veio fazer queixinhas que eles eram maus e feios. Vai daí, o senhor professor esqueceu-se do castigo e pôs o Pedrito e o Paulinho a brincar sozinhos, mas avisou que se eles não se portassem bem lhes puxava as orelhas. O Tozé voltou a ficar chateado. Os outros meninos ficaram ainda mais chateados e disseram que o senhor professor é mais amigo do Pedrito e do Paulinho do que deles. O recreio continua e a abelha é nossa amiga porque nos dá o mel, etc. 

 

O princípio de que alguém está destinado desde o berço a liderar, ainda que simbolicamente, uma nação não me entra na plebeia cabeça. Ainda que mereça pouquíssimos dos louvores que os seus fanáticos lhe dedicam, o sistema republicano merece um louvor: é, quando o deixam ser, democrático. E se os resultados são por regra desastrosos ou mínimo desconsolados, prefiro um desastre eleito a uma bênção imposta.


Cultura política de diálogo. Renovado espírito de compromisso. Compromisso aberto e inclusivo. Crescimento sustentado. Coesão na defesa da estabilidade. Relançamento da economia. Gerar emprego qualificado e retenção de competências. Reforçar o chamado "capital social". Afirmar uma nova cultura de confiança e de responsabilidade. Construção de uma sociedade de oportunidades para todos os sectores sociais. Estas prodigiosas banalidades não são, graças a Deus, de minha autoria. Pertencem à moção de confiança já entregue no Parlamento e que será discutida na próxima terça-feira. No fundo, a coligação no poder fará levantar os deputados que a suportam para aprovar um documento cujo imenso vazio não destoaria num congresso de angariadores de seguros ou numa palestra evocativa de Maria de Lourdes Pintasilgo. Talvez o maior problema do regime não esteja na Justiça, na corrupção, na ideologia ou nos partidos, mas na linguagem. É absurdo esperar políticas redentoras se o português que as define padece de paralisia cerebral. As palavras são importantes, excepto quando quem as despeja não o é.»

 

Alberto Gonçalves, DN


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