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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

«Este é o país onde não há carreiras, pois mal um individuo se consegue erguer sobre as duas pernas, logo a caterva de díscolos sobre ele faz chover uma saraivada de pedras (pedras de estupidez, pedras de ignorância impante) e fazer correr os dichotes e remoques do "é um tipo estranho", "não se adapta", "tem um carácter difícil". Contentes nesta Sicília transbordante de génio e sucesso, assim continuaremos sonhando com grandezas fanadas e importâncias que já mal se vêem. Álvaro Santos Pereira é a última aquisição da galeria dos homens que este país não mereceu, mas que depois de partirem, insuflam o mito do sebastianismo. Álvaro cometeu o tremendo erro de acreditar num país industrializado, feito de empresas ousadas e inovadoras animadas pelo afã da boa concorrência, um país exportador, visível na cena internacional e respeitado pelo trabalho. Acabou. Ficam as conversas tolas que rendem favores, o concurso consensualizado, a obra prometida, as comezainas phony-baloney e o chocalhar de on the rocks de conversas sobre o open de Cascais, o golfe e outras coisas notáveis.»

 

Miguel Castelo-Branco, Combustões



Nota: O dr. Lima, na apresentação das conclusões da "comissão Xavier" sobre a "reforma do IRC" - que coincidência mais coincidente estas "conclusões" aparecerem menos de 24 horas depois do dr. Lima ser o novo apoderado da Economia oficial! -, uma criação de Gaspar depois de Álvaro Santos Pereira ter, sem a oposição de Bruxelas, anunciado uma baixa na respectiva taxa para os 10% dentro de certas condições, tratou o seu antecessor por "Álvaro Silva Pereira". A esmerada educação do São João de Brito pelos vistos não chega para tudo.

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Os prazeres e os dias - a vida material

João Gonçalves 26 Jul 13

Retido por casa e arredores para tratar de algumas coisas da vida material - que o "altar da pátria" impediu de tratar oportunamente-, vejo que o novo Governo estará completo da parte da tarde. Constato que, em vez da política (no sentido, se ainda existe, nobre do termo), prevalece o mito provinciano do "gestor" à mistura com o sempre na moda "circuito da carne assada" e dos beijinhos nos mercados da hortaliça. Desta vez a repartição é elaborada com a equanimidade exigida pelas circunstâncias. E até inclui estimáveis criaturas vindas directamente de Marte. O desprezo pelo serviço público, pela administração pública, persiste de forma mais evidente com a mitologia anti-Estado exacerbada pelos nossos liberais de pacotilha tão do agrado de meia dúzia de deslumbrados reconvertidos que bolçam nos media. Que longe andamos de um pacato jantar com Passos Coelho, algures na primavera de 2011, em que se jurava por gabinetes governamentais que "aproveitassem" a experiência da administração pública e não o amadorismo carreirista dos compagnons de route ou dos jardins-escola. A "moção de confiança" ontem aprovada no Conselho de Ministros, uma coisa mal amanhada e mal escrita, é agora o novo programa do Governo. Será aprovado na terça-feira por entre salvas de palmas palermas e o sorriso descansadinho de Belém. Nem sabem o que os espera.

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Vitórias sobre vitórias

João Gonçalves 26 Jul 13

Medeiros Ferreira - ou Pacheco Pereira na revista Sábado - tem alguma razão. O actual primeiro-ministro, depois da "normalidade" que o distinguia de Sócrates e que lhe deu a vitória em 2011, está a ficar "parecido" com o primeiro-ministro Pinto Balsemão dos idos de oitenta. Também ele coleccionou vitórias sobre vitórias. Aliás, o Presidente da República, que nessa altura escrevia cartas a Balsemão, deve estar bem recordado dessa caminhada gloriosa. Sobretudo do desfecho dela.

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