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portugal dos pequeninos

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Um exemplo

João Gonçalves 20 Jul 13

 

No meio disto tudo passou despercebida a passagem do presidente da RTP por uma comissão parlamentar. E, segundo um jornal, a sua recusa em receber uns "colegas" da "France24" em Cabo Ruivo  - que pretendiam conhecer a congénere portuguesa da ERT para uma reportagem - acabou numa ordem directa do ministro da tutela para o efeito. E tudo terminou, como o preidente do CA da RTP aprecia, à mesa de um restaurante. O presidente da RTP é, aliás, um excelente exemplo do "compromisso" que, no todo nacional, não chegou a ocorrer. Há sensivelmente um ano discutiam-se os "cenários" do novo "modelo de gestão" da empresa a quem o Estado, desde o Doutor Salazar, concessiona o serviço público de rádio e televisão. No programa do Governo, suficientemente vago a este respeito para garantir um qualquer "compromisso", falava-se na privatização de alguns activos da RTP quando as famosas "condições de mercado" o permitissem. O PSD presumivelmente escreveu a primeira parte da frase e o CDS a segunda. Sabe-se o que aconteceu. O anterior CA pediu a demissão, a concessão da gestão da RTP a um privado, mantendo-se a propriedade pública, esteve em cima da mesa com o apoio do chefe do Governo, do então ministro da tutela  e do novo presidente do CA mas, através de dois ou três recados por jornalistas "amigos" e com a benção dos eternos ideólogos do serviço público (que têm a RTP por sua desde tempos imemoriais), o então número três da coligação fez prevalecer a segunda parte da frase do programa e não se falou mais nisso. O presidente da RTP emergiu então como a personificação de uma palavra que recentemente adquiriu um novo significado, o "consenso" em registo RTP, e como o novo campeão nacional do serviço público de rádio e televisão. Chegado aqui, o que é que ele tem para a troca? Cento e quarenta e quatro rescisões "amigáveis" e um eventual despedimento colectivo, a final, se a tesouraria falhar; o despedimento violento de um director de informação; um vazio incómodo na direcção geral de conteúdos; umas audiências correlativas a uma programação pouco mais que medíocre. Saí do Gabinete de Relvas por causa disto e, em concreto, por causa deste "compromisso" plasmado no "exemplo" do presidente do CA da RTP que Relvas escolheu. Ignoro - e, francamente, não me interessa - o "pensamento" da actual titular da pasta sobre a RTP, a sua gestão e o serviço público sem ingressos directos provenientes do Orçamento de Estado. Uma vez que a empresa continua como estava em Junho de 2011 em nome do "consenso" e da "união nacional", porventura deveria continuar a receber a chamada indemnização compensatória. No lugar do presidente da RTP, andava a berrar por ela todos os dias.

 

Adenda: Sob a tutela de Miguel Relvas entendeu-se, e bem, que não devia sobrecarregar-se os contribuintes com o aumento da contribuição para o audiovisual, vulgo taxa, que sempre se manteve no valor que existia à data da tomada de posse do Governo. E sempre, com maiores ou menores dificuldades, foi possível encontrar interlocutores no Tesouro aka Finanças para a RTP. Um pequeno registo para memória futura.

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