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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Uma falácia autocomplacente

João Gonçalves 18 Jul 13

Quando saí para passear o cão, o presidente do PSD estava a elaborar sobre números, a Europa e, pareceu-me, vagamente sobre a Grécia. Regresso e assisto à dra. Ferreira Leite a sugerir ao dr. Seguro que se liquide politicamente a bem da nação, leia-se, do "acordo". Pese embora acompanhar o referido dr. Seguro em relação ao "corte" anunciado de quase 5 mil milhões de euros na despesa - a "reforma do Estado" em versão excel , a única que se conhece -, a dra. Ferreira Leite também menosprezou a votação da moção de censura e alertou para a circunstância de o PSD não apreciar ser canibalizado pelo "pequeno partido à sua direita" (a expressão é do dr. Barroso) mesmo que coligado com ele. O mais interessante disto tudo é o "acordo". Ninguém sabe para que serve nem tão pouco o que é. Mas, salvo dois ou três loucos furiosos, porventura anti-patriotas, toda a gente fala do "acordo" como um facto e uma necessidade. Honra seja feita ao primeiro-ministro que, no parlamento, não viu nem uma coisa nem a outra no dito "acordo" pois anunciou que, mal ele esteja estabelecido ou não, vai a correr propor a promoção do MNE a vice dele ao PR. Isto quer dizer que pelo menos na cabeça do PM, o "acordo" tanto pode ser do domínio do ser como do não ser. Em suma, e não obstante a boa vontade manifestada pelo PR nas Selvagens, estamos perante uma falácia autocomplacente à qual deve ser posto rapidamente termo.

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Coisas grandes e coisas pequeninas

João Gonçalves 18 Jul 13

 

Enquanto decorre mais um inútil debate parlamentar, desta feita por causa de uma absurda moção de censura, leio no rodapé da televisão que a Livraria Sá da Costa fecha portas no desfecho de um processo de insolvência. Coisas destas é que doem. O resto, repito, não só é facultativo como chega a ser ridículo de tão pequenino.

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As pardelas

João Gonçalves 18 Jul 13

 

Desde os idos presidenciais de Ramalho Eanes que, volta não volta, emergem as "personalidades". As "personalidades" distinguem-se, como o nome indica, por serem incomuns e excepcionais. À semelhança das cagarras, voam alto e apreciam o alto mar - ninguém vê as cagarras durante o inverno - mas vêm a terra nidificar e proteger-se de intempéries. Estas pardelas bípedes caracterizam-se por, à excepção dos que entretanto morreram, pairarem pelo regime há décadas. Algumas delas foram mesmo responsáveis executivos que oscilaram entre governos e o Estado paralelo constituído pelas empresas públicas e afins. Não admitem, dada a sua natureza de "personalidades", que, por exemplo, um canalizador ou um coveiro municipal que porventura comungue das suas posições se lhes junte. Não. As "personalidades" existem para, intermitentemente, recordar a quem de direito que é preciso salvar a pátria e que a pátria só se salva com eles num lado qualquer. Porque o seu entendimento de "salvação" passa famosamente por se "salvarem" primeiro. São resquícios ditos democráticos de um híbrido entre a União Nacional e a Câmara Corporativa do Doutor Salazar. Todavia, e ao invés das cagarras, exibem uma ecologia doentia que não merece a menor protecção ou respeito. Na verdade, «ninguém quer hoje consensos "a martelo" que, a pretexto da crise, substituam a diversidade das opiniões e da sua expressão por um qualquer garrote unanimista.» É assim tão difícil de entender?

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