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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Uma crise Humpty Dumpty

João Gonçalves 17 Jul 13

 

Esta "crise" tem tido o mérito de recordar uma das personagens mais famosas de Lewis Carroll. Caracteriza-a a circunstância de atribuir às palavras que profere o significado que bem entende e que mais ninguém consegue entender. Humpty Dumpty (HD) também é incapaz de formular o menor cálculo sobre intenções alheias, ou seja, é incapaz de interpretar. Por exemplo, em HD o termo "irrevogável" não denotaria nada nem sequer o que o falante normal percebe como "irrevogável". Ou o termo "intransigência". E, talvez, "acordo", "compromissso", "estabilidade", "coesão", "solidez", etc. Como HD às tantas responde a Alice que ficou, aliás, na mesma: "there's glory for you". De certeza que, em plural majestático doméstico, haverá.

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Caminhar na floresta

João Gonçalves 17 Jul 13



Globalmente não apreciei a entrevista de Ramalho Eanes a Fátima Campos Ferreira (era para ser com Vitor Gonçalves mas deve ter havido uma qualquer intersecção do "espírito santo") o que não muda um átomo na minha absoluta convicção de mais de trinta anos de estarmos perante um dos homens mais decentes que apareceram na vida pública portuguesa. E não apreciei porque pareceu-me ver Eanes a parafrasear "conjunturalmente" o actual Presidente na sua comunicação a qual ainda não nos conseguiu tornar menos "selvagens" do que éramos há uma semana atrás. De nada servirá a "ousadia" presidencial, como a classificou Eanes, se o "arco da governação" - essa rídicula invenção filológica de um regime timorato em matéria de conflito e, por consequência, de democracia  - não "acordar". É evidente que alguma coisa "acordará" estilo rendimento mínimo de compromisso: no défice, numa ou outra rubrica orçamental, na sucessão dos dias e das estações, etc., etc. No resto - que implica ou o mais longo governo de gestão da história recente "disto", ou a maior e mais absurda abdicação política também desta história recente - as respectivas moedas de troca são demasiado exigentes para se revelarem verosímeis. Todavia, encontro um momento em Eanes que deve ser reflectido. «Esperançado em que a reforma do Estado possa ser negociada, o ex-presidente considerou-a "indispensável", porque, justificou, "não é possível, com a economia como está e vai estar nos próximos tempos, ter um Estado social, pagar juros altíssimos, ter ainda empresas público-privadas e o Estado paralelo que foi agora denunciado". Mas também avisou que a reforma tem de ser feita a um ritmo que a sociedade portuguesa permita: "Temos de fazer a reforma segundo o nosso ritmo, que a nossa sociedade permite".» O analfabetismo funcional das nossas elites, bem como o seu irreprimível oportunismo, não as deixa ver a famosa floresta atrás das árvores (em geral eucaliptos) que elas próprias plantaram. Eanes fez bem em trazê-las, pelo menos nesta parte, ao redil. Não que sirva para alguma coisa. Quem não sabe manifestamente caminhar na floresta não chega lá.

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O que interessa

João Gonçalves 17 Jul 13

Jorge Sampaio de vez em quando diz umas coisas acertadas. Reforçar a posição negocial de Portugal daqui para diante deve ser o cerne destas conversas interpartidárias. O resto é facultativo.

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