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portugal dos pequeninos

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Grandeza

João Gonçalves 13 Jul 13

 

Herbert von Karajan dirige a abertura de O Navio Fantasma, de Richard Wagner

O "recadismo"

João Gonçalves 13 Jul 13

 

Hoje em dia ninguém compra um jornal, pelo menos ninguém que siga a chamada vida política nacional, para "ler" notícias. Não. Os jornais - e dois ou três em especial - valem a pena ser lidos por causa dos recados. Toda a gente que "mexe" no mundo político tem o seu (ou os seus) "recadista" de estimação cujas peças servem no essencial para se saber o que vai na alma dessa gente sem que ela tenha de abrir a boca. Por exemplo, quando se produz uma "notícia" sobre a "reforma do Estado", sabendo-se que segunda-feira era o deadline para a evidenciação da dita, está-se a querer dizer que ela, a "reforma", "existe" e tem um "autor" mesmo que nada de concreto haja para apresentar. Ou quando se disserta abundantemente acerca dos "bastidores" da "crise" na coligação, quase se consegue nomear um a um os "autores morais" das papeletas, consoante os propósitos: incensar um ex-colega de profissão proto-alcandorado a segunda figura da governação, estilo "ministro de Tudo e de Nada", sugerir que o país seria salvo instantaneamente se determinado empresário, e meia dúzia de figurantes úteis, quer no plano da figuração propriamente dita, quer no da idiotia, varressem à sucapa o "elemento" que eles sempre acharam estar a mais, lançar este contra aquele, interpretar as palavras do Chefe de Estado no sentido que melhor favoreça este ou aquele, etc., etc. Tudo somado, há coisas que apenas ressumam a projectos de poder partidário unipessoal, pelo puro gozo do poder unipessoal, sem a menor relevância para o interesse do país apesar dos transportes românticos das citações. Talvez não seja por acaso que também apareça outro tipo de "recados" quando se escreve que um "conselheiro" de Belém sustenta que o mais famoso "acto irrevogável" da política portuguesa dos últimos tempos equivale à "deslealdade institucional" a que o PR aludiu no prefácio aos seus Roteiros de 2011. Nenhuma "solução sólida e coesa", como alguns plumitivos lhe chamam sem se rir, pode defender-se daqui até 2015 sem colunas vertebrais politicamente saudáveis. Esta ecologia farsante do "recadismo" noticioso parece traduzir precisamente o contrário. E o que parece, é.

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