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portugal dos pequeninos

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O estado de uma nação

João Gonçalves 12 Jul 13

Ninguém reparou mas o "guião" do debate infeliz que teve lugar no Parlamento tinha sido escrito, sob forma epistolar, a semana passada. As cartas de demissão dos dois únicos ministros de Estado do actual Governo ditaram o presente "estado da Nação". É claro que havia um lastro anterior que, de novo, ambas as cartas resumiram eloquentemente. Ambas representaram não um ponto de partida mas um ponto de chegada. Não era pois verosímil ou aceitável partir-se para o que quer que fosse pela simples rasura dos referidos escritos. Mas partiu-se com os resultados que se conhecem. Julgo que o Presidente da República usou muito do tempo da sua intervenção a descrever as implicações de eleições antecipadas para, quando as convocar, poder explicar outras coisas. Porque o mero decurso do tempo - e não apenas político - desde essa intervenção até agora tem vindo a evidenciar algumas dessas implicações. Nem sequer faltará a estafada moção de censura para acrescentar um pouco mais de grotesco tropical a tão extravagante "estado" de uma Nação. Repito. Tudo estava escrito, não nas estrelas, mas naquelas cartas onde, sobretudo depois da segunda, se solidificou uma "reputação". De resto, o frívolo exercício de ditos e de não ditos ao longo das maçadoras mais de quatro horas de debate serviu para nada.

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João Gonçalves 12 Jul 13

1. «Bem sei que o uso de palavras pelo Ministro Portas é particularmente elástico, mas ele é uma das últimas pessoas que pode falar com este à vontade de Portugal como protectorado. Uma coisa é a situação de facto de perda de soberania face aos  nossos credores, traduzida no "programa" do Memorando, que não ignoro, outra é a aceitação por parte do topo do estado que isso significa a perda da soberania nacional sem que nenhuma instituição, pelo menos o Presidente e a Assembleia, o defina e caracterize como tal. Isso significa uma perversão total da nossa independência e soberania, significa consentimento pela voz do Ministro dos Negócios Estrangeiros e constitui uma traição mesmo à face da lei.» (J. Pacheco Pereira, Abrupto)

2. «O declínio do PSD desde 2011, depois de uma breve fase inicial de sustentação (que Barroso não teve), tornou-se logo de seguida mais acentuado e rápido que o que sofreu desde 2002 e que, hoje, o PSD está com intenções de voto nos mínimos dos últimos 12 anos, mas que esses mínimos já foram atingindos em várias circunstâncias (Santana Lopes, Menezes, Ferreira Leite). A dúvida, claro, é o que pode estar ainda para vir.» (Pedro Magalhães, Margens de Erro)

3. «Não tenho dúvidas de que a única solução é optarmos pelo presidencialismo. Este sistema semi-presidencialista é típico da alma portuguesa. Todo o sistema constitucional é para que não se possa fazer. Para ser aprovada uma moção de censura é preciso que haja maioria contra. Se todos se abstiverem, não passa, apesar do partido ter 50 tipos a votar... Era preciso uma ruptura que o Cavaco não é capaz de fazer. Não podemos não tentar, morrer tentando.(...) O Presidente da República devia fazer uma ruptura no regime. “Eu digo quem vai governar e desde já vos digo que vou criar as condições para mudar isto”. O país está sequioso disso. (...) A figura chave será Cavaco É. Ele quer estar, no momento em que estivermos à beira do abismo, em condições de salvar a civilização. Escolhe muito bem um bom primeiro-ministro, dá-lhe apoio absoluto, dá-lhe autoridade para formar o Governo como quiser. E dá-lhe apenas um mandato: fazer a reforma do Estado e desencadear o crescimento económico. “E podes ter a certeza de que te mantenho mesmo que na Assembleia da República te mandem abaixo”.» (José Miguel Júdice, Jornal de Negócios)

4. «Quando se perde a legitimidade política, perde-se a confiança (Ramalho Eanes, 25.4.2013)

 

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