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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A deliberada indiferença

João Gonçalves 11 Jul 13

 

Acabei de ler o derradeiro Le Carré, com uma tradução competente apesar do "acordês". David Cornwell aka John Le Carré é um verdadeiro escritor que é o melhor e mais singelo elogio que lhe posso fazer. Socialista (ou social-democrata conforme as preferências), Carré criticou severamente o "new labour" de Blair, uma mistura de chico-espertice com negociatas e populismo barato. Este livro tem isso como fundo e as personagens são eloquentes a esse propósito. Blair está hoje perfeitamente identificado como um dos maiores farsantes da política mundial ao lado de mais meia dúzia de palhaços-ricos, sem princípios, para quem a ideologia sempre foi um pretexto e não uma causa. Na realidade, a política serviu-lhes de trampolim para a rapacidade mais primitiva e evidente como este texto ficciona na perfeição. «Toby chegou a perguntar a si mesmo se, no fundo, o homem não seria pura e simplesmente estúpido. A não ser assim, como explicar a asneirada que a Operação Vida Selvagem tinha sido? E, a partir disso, vagueou para uma discussão sobre a pretensiosa afirmação de Friedrich Schiller segundo a qual contra a estupidez humana os próprios deuses lutavam em vão. Não era assim, na opinião de Toby, e tal não era desculpa para ninguém, fosse deus ou homem. Aquilo contra o que todos os seres humanos razoáveis lutavam em vão não era de modo nenhum a estupidez. Era a simples, deliberada e maldita indiferença pelos interesses de quem quer que fosse, a não ser os seus.»

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Medo do próprio medo

João Gonçalves 11 Jul 13

 

Não gosto de palhaçadas como, por exemplo, usar as galerias do parlamento para números de circo. Mas não me parece que a presidente da Assembleia da República - que não soube dominar a sua irritação circunstancial - possa promover o encerramento das galerias destinadas ao público a pretexto destes números de circo. Disse Assunção que "nós não fomos eleitos para ter medo, fomos para ser respeitados" no que tem parcialmente razão. Mas em matéria de "medo" e política, mais lhe conviria - até porque umas almas caridosas pensam nela para outros voos - louvar-se em Franklin D. Roosevelt na tomada de posse em 1933: "a única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo".

O grotesco em política

João Gonçalves 11 Jul 13

«O País é que continua a perder porque, quando precisava - em termos nacionais e europeus - de uma visão estratégica de verdadeiro fôlego, ficou agora ainda mais refém daquilo que Michel Foucault definiu um dia como o grotesco em política. E esse grotesco é aquilo que se revela quando "a maximização dos efeitos de poder acontece a partir da desqualificação de quem os produz"- que é, note-se bem, exatamente o que se tem estado a passar.»


Manuel Maria Carrilho, DN

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Pathos

João Gonçalves 11 Jul 13

1. E ao décimo primeiro dia o tempo mudou. E o ovo não estava no rabo da galinha como contavam alguns sedentos e uma meia dúzia de astrólogos da politica.

2. Assim de repente só vejo uma pessoa - não pode ser um "técnico" por muito boa que a "técnica" seja - com biografia politica adequada para mediar entre Cavaco e aquilo a que chamam os partidos do "arco da governação", o General Ramalho Eanes. Conhece-os desde pequeninos como ninguém.

3. Os partidos do "arco da governação" regrediram a um estado politico-libidinal tão infantil que só alguém com um perfil patriótico austero e democrático os pode ajudar a recuperar e a crescer. Ramalho Eanes, por e com Cavaco, pode ser esse patriota simplesmente decente.

4. Não é nada nem de pessoal (não o conheço) nem partidário (saí do PSD em 2004). Mas o que é que Passos Coelho ganhou com Moreira da Silva como seu primeiro vice presidente? Um "conselho coordenador da coligação" que não funciona? Um "acordo do Tivoli" que também não? Não percebo.

5. Quando alguém ligado aos interesses - a uma parafernália deles, aliás, independentemente das suas qualidades intelectuais - afirma que o PR "lançou o caos", é bom sinal.

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