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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Uma obra

João Gonçalves 31 Jul 13

 

Em apenas seis meses, "perdi" um Papa sem ilusões para um outro "todo-o-terreno", um Presidente da República que abdicou na sua própria sombra e que acredita no Pai Natal e, finalmente, um Governo que cedeu à mistificação como forma de sobrevivência. Como todo o fracasso*, não é bonito de se ver mas não deixa de ser uma obra.

 

*o termo segue com um abraço para o João Pedro George que trata do fracasso em literatura no livrinho da foto

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Lisboa, cidade em branco

João Gonçalves 31 Jul 13

 

As eleições autárquicas, pelo menos em Lisboa e no Porto, para além da política representam um torvelinho jurídico por causa da cretinice parlamentar. De petições em petições, de recursos em recursos, alguns candidatos e candidatos a candidatos, em vez de "programas", elaboram articulados judiciais. O sr. Seara, por exemplo, alcançou uma "vitória"  através de um lance do Tribunal Constitucional (e que aproveite bem estas "vitórias" de secretaria porque são as únicas que vai ter). Mesmo assim, ainda não está nem "fermoso" nem "seguro". Nunca estaria, aliás, por definição. Tudo visto e ponderado, a não esquerda não tem candidato à Câmara de Lisboa apesar deste inócuo benfiquista e dos "apoios" que alguma dela depôe aos pés do Bonaparte socialista. Deve abster-se ou votar em branco como brancas são as "ideias" destes pernósticos todos juntos.

"Tudo passa com o tempo, as águas ficam"

João Gonçalves 31 Jul 13

 

Passa hoje uma década sobre a morte do meu Pai. Naquela altura também estava, uma vez mais, a mudar de vida. Fui ver ao arquivo o que é que tinha escrito. E não tinha escrito nada a não ser a transcrição de umas palavras de um livro de Henry Miller que estava então a ler. «Na sua solidão, no seu sonho de amor ou de ausência de amor, os que se perdem vão sempre ter à beira de água. Na imensa deriva da noite, o estertor da agonia dos aflitos é abafado pelo rumor da mais pequena ondulação. O espírito, vazio de tudo, excepto do rumor das ondas, serena. Rolando com as águas, a alma até então atormentada desdobra as asas. As águas da terra! Que nivelam, sustentam, reconfortam! Águas baptismais! A seguir à luz, são elas o elemento mais misterioso da criação. Tudo passa com o tempo. As águas ficam.» É isso - tudo passa com o tempo mas as águas ficam.

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Um Rio que passou

João Gonçalves 31 Jul 13

 

Confesso que, se por um lado me agrada o lado "germânico" desassombrado de Rui Rio, por outro não apreciei vê-lo na entrevista com Vítor Gonçalves. Rio repetiu o que já se sabia e que não o tornou maior por isso: que não gosta de Menezes, que Menezes fez mais mal a Gaia do que o PS ao país (um abraço verbal ao seu homólogo de Lisboa) e que Menezes, por consequência, não serve para seu sucessor. A sua soberba regionalista foi ao ponto de considerar que não há ninguém à altura dele para lhe suceder. E o que disse sobre a actual ministra das finanças, depois das suas responsabilidades na gestão do Metro do Porto, também não o credita por aí além. Rio perdeu o comboio da liderança do PSD por dois motivos pouco glorificantes. Desde logo porque é muito complicado, num país politicamente macrocéfalo, um dirigente regional ou local "crescer" para a nação. O execrado Menezes experimentou isso na pele e João Jardim não é propriamente um sucesso continental. Ao balofo César dos Açores, se um dia tentar Lisboa, acontecer-lhe-á a mesmíssima coisa a menos que mão amiga o enfie directamente num futuro governo socialista. Depois Rio foi o eleito de um pequeníssimo círculo de "elites" do PSD, na casa de Ferreira Leite ao Restelo, para concorrer ao lugar deixado melancolicamente vago por Menezes na Lapa. Disse que sim mas quando chegou ao Porto telefonou a comunicar que, afinal, não podia. E avançou Ferreira Leite. Ou seja, Rio será sempre um could have been do PSD à semelhança de outros mais novos que não entendem que não é a melhorar a redacção das directivas comunitárias sobre alfaces ou preservativos que se vai lá. Nem o seu irrepreensível cavaquismo o salva porque o mentor está pacatamente resguardado nos bolsos dos casacos da actual liderança dos partidos da coligação. Temos pena mas Rio, quando passar a pasta, passou.

"Conversas de café"

João Gonçalves 30 Jul 13

 

Vi num telejornal que o ministro com a tutela da RTP anda a patrocinar umas "conversas de café" (sic) com umas "personalidades" alegadamente especializadas na referida RTP para, uma vez mais, chegar a um "modelo" de gestão do serviço público. Se ainda não foi apagado do portal do Governo, está lá um relatório sobre a matéria com menos de dois anos que, julgo, ainda não foi devidamente aproveitado. As pessoas que o elaboraram ouviram muitas entidades, públicas e privadas, até formularem as respectivas conclusões. O que de certeza não ouviram foi um fornecedor de serviços externos privados à RTP como, aparentemente, acontece agora. Numa destas "conversas de café".

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Gostei de ouvir, no rádio do carro quando vinha do Guincho, o primeiro-ministro no parlamento a elogiar a competência da ministra das finanças. Sobretudo porque, num mês difícil em que foi tão parco em palavras para com ministros seus que se demitiram, ou foram removidos, quanto generoso para outros que simularam uma saída em falso, a defesa da honorabilidade técnica e política de Maria Luís Albuquerque tornava-se um imperativo categórico. Também escutei o primeiro-ministro a defender o recente anúncio de uma reforma do IRC no que foi acompanhado pelo seu "vice", lá dentro, e pelo dr. Lima, cá fora em declarações "aos jornalistas". O PS foi aliás chamado a participar neste "debate", a que anuiu com um acrisolado entusiasmo, quase como se a sua actual direcção não se importasse de fazer de sub-secretariado de Estado do senhor vice-PM à conta deste "isco". Mas regressemos ao anúncio de uma reforma do IRC. Numa troca de impressões com um amigo, foi fácil concluir duas ou três coisas relativamente evidentes. Desde logo o anunciado corte de 2% no IRC, em 2014, e para  os 19% (quem sabe) em 2018, é uma falácia mediática perante a urgência de investimento. Isto pode explicar-se, quer porque a "comissão Lobo Xavier" se limitou a "obedecer" às orientações da troika que não simpatiza com regimes de tributação especiais - esses regimes alteram, na concepção "ideológica" da troika, a "pureza" da "concorrência" tão cara à DG6 da Comissão e aos países que prevalecem na União -, quer porque a dita "comissão" foi dominada por "técnicos" e consultores "informais" ligados a empresas do PSI-20, menos duas.  Na verdade, essas grandes empresas não estão, por natureza, excessivamente preocupadas com o IRC. Enquanto puderem pagar impostos na Holanda, ou no Luxemburgo, têm a questão "resolvida" e são fiscalmente mais competitivas do que as outras. Finalmente, a "comissão" foi nomeada para travar a proposta do então Ministro da Economia que, em determinadas condições, tinha recebido aval em Bruxelas. Como nada acontece por acaso, a primeira aparição pública do seu sucessor ocorreu associada precisamente à apresentação das "conclusões" da "comissão". As coisas, como os impostos, são o que são.

Um homem

João Gonçalves 29 Jul 13

A propósito do falecimento de Fernando Martins, empresário e antigo presidente do Benfica, as televisões passaram umas suas declarações por ocasião de um evento com Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto. Isso numa altura, suponho, em que, por causa da hipocrisia doméstica - que, se contasse para o PIB, faria de nós primeiros no mundo -, muita gente se afastou de Pinto da Costa.  Fernando Martins foi-me apresentado, uma vez, no restaurante do Hotel Altis pelo General Ramalho Eanes, um espaço que acolheu grandes momentos, ora de glória ora de queda, da vida política nacional independentemente dos protagonistas. Não gosto de futebol e, por consequência, não era de futebol que pretendia falar. Queria apenas falar de um homem.



Na RTP1, por volta das 23h. Boa noite e boa sorte.

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