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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

"Não temo o juízo do futuro"

João Gonçalves 27 Jun 13

 

Estou a ler o livro de entrevistas de Jorge de Sena editado pela Guimarães, agora Babel, numa magnífica edição (embora com uma gralha aqui ou ali) preparada por Jorge Fazenda Lourenço. São trinta anos de entrevistas com destaque, talvez, para a de Abril de 1968, à revista O Tempo e o Modo que lhe dedicou um número inteiro. O que Sena afirma a propósito do chamado "meio literário" doméstico podia ser dito sobre a nossa pequenina vida pública em geral, capelista e corporativa (no sentido rasca do "corporativo", normalmente um ajuntamento de ressabiados estúpidos e anónimos), como se fosssemos todos iguais por baixo. Pois não somos, graças a Deus. Somos mais isto que o Sena descreve à distância higiénica da geografia e do nojo. «Tenho horror de falsas modéstias, de facto. Mas tenho ainda maior horror da mediocridade que se compraz em recusar-se a reconhecer o que a excede. Não, não sou um dos meus mais seguros admiradores. Se o fosse, seria como a maioria dos membros da vida [literária] portuguesa, tão satisfeitos de si mesmos [que escrevem sempre um livro pior que o anterior]. O problema não está em eu me considerar muito grande - mas sim em os outros serem, na maioria, tão pequenos. (...) O mais que fazem é louvar às vezes um medíocre ou desenterrar um morto, com medo da sombra que lhes seja feita. A diferença entre mim e eles é que não temo o juízo do futuro, e não procuro tapar o sol com uma peneira. Não: a minha segurança é total e absoluta: ninguém pode destruir-me senão eu mesmo.»

O perigoso ciclo das narratretas

João Gonçalves 27 Jun 13



«Com a Europa a capitular assim - revelando maior preocupação com os seus bancos do que com os seus jovens -, não admira que por todo o lado se multipliquem sinais do grande motim anti-europeu que se prepara: é Beppe Grillo em Itália, são os alternativos do AfD na Alemanha, é o Partido para a Liberdade de Geert Wilders na Holanda, são os "Verdadeiros Finlandeses", é o UKIP de Nigel Farage, etc., etc. E no último fim de semana tivemos mais um preocupante sinal desta escalada, com a Frente Nacional de Marine Le Pen a chegar quase aos 50% dos votos nas eleições francesas de Lot-et-Garonne. Este resultado traduz uma impressionante progressão de 20%, da primeira para a segunda volta. Não admira, pois, que Marine Le Pen tenha já anunciado que as eleições europeias do próximo ano, em que as sondagens a colocam a disputar o primeiro lugar nacional, serão transformadas num referendo à permanência ou à saída da França da União Europeia. Isto promete, pois. Mas, entretanto, os responsáveis políticos europeus continuam, como se nada acontecesse, a repetir as narratretas mais estafadas, uns sobre o laxismo sulista e as virtudes nórdicas, outros sobre as irresponsabilidades nacionais, outros ainda sobre o incontornável modelo germânico... todos invocando, para justificar o torpor em que se vive, as eleições alemãs de 22 de Setembro próximo. Mas seja qual for o resultado destas eleições, o que verdadeiramente vai fazer mudar as coisas na Europa, e em particular na Zona Euro, é a inevitável entrada da Alemanha em recessão. Aí, sim, vamos assistir a muita correria, mas tudo se arrisca então a ser tarde demais.»

 

Manuel Maria Carrilho, DN

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