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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A farpa no "consenso"

João Gonçalves 23 Jun 13

 

Em França, o "consenso" - essa palavra delicodoce tão para tudo quanto para nada - republicano ameaça romper-se com a emergência demasiado fulgurante de Marine Le Pen. Depois da desilusão centro-direita representada por Sarkozy, parece estar em marcha a desilusão centro-esquerda com Hollande. Para mais, Hollande ainda não encontrou (nem se sabe se a senhora deixará que ele, ou outro qualquer, encontre) o "tom" adequado para a Europa comandada por Merkel. Em 2002, entre a 1ª e 2ª volta das presidenciais, assisti em Paris, por acaso, a um desfile da Frente Nacional ainda com o pai Le Pen. O senhor falou quase três horas, em frente à Ópera, e ninguém arredou pé. Mais de dez anos depois, a filha segue a estratégia dos pequenos passos de Lenine e pode obter um resultado surpreendente nas europeias da Primavera que vem. Uma coisa dessas fatalmente obrigaria a Europa a, como diriam os nossos ensaístas de serviço, "revisitar-se" e a libertar-se forçosamente do torpor idiota que a atravessa. Às vezes há males que vêm por bem.

Da política enquanto outdoor

João Gonçalves 23 Jun 13

 

Quem chega a Cascais pela A5 depara imediatamente com três cartazes "autárquicos". Num, azul-escuro, a palavra gigantesca "Todos" traz em rodapé o nome do actual presidente da Câmara, Carlos Carreiras, e os símbolos dos partidos que o apoiam, o PSD e o CDS. Depois, vermelho-escuro, o cartaz do PS exibe a cara de João Cordeiro, o ex-tipo das farmácias, que assegura ser "o líder" que a localidade precisa. Logo a seguir, azul-claro, uma senhora, de seu nome Isabel Magalhães, "independente"e que a RTP não consentiu que fosse vista naquele extraordinário show "5 para a meia-noite" que ainda um dia há-de receber o Papa Francisco. No caminho, ainda vi "o novo presidente" de Oeiras, Paulo Vistas, outro cartaz vermelho-escuro - que presumo ser do PS mas cujo rosto principal e respectivo nome não consegui enxergar - e, por António Costa, uma coisa a verde e branco com um pequenino skyline de Lisboa com o seu castelo. Infelizmente não passei por nenhuma "nova ambição para Oeiras" onde figurasse o maravilhoso guionista M. Flores. Tudo somado, isto quer dizer que os partidos, e os "independentes" deles, vão apostar em força no velhinho outdoor. E também quer dizer que, durante cerca de 3 meses, os rostos mais improváveis vão partilhar a paisagem connosco. O que constitui uma alegria equivalente a um imenso picnicão no Terreiro do Paço, atafulhado de couves e do excelente boi barrosão. No fundo, o dia 29 de Setembro, data das eleições autárquicas, mais do que a escolha deste ou daquele rosto concreto e localizado, pode representar uma espécie de referendo nacional ao Governo. A segunda fase da legislatura, assinalada junto aos túmulos de Pedro e Inês, não começou da melhor forma - os exames, os subsídios. Ora o mês de Julho será politicamente relevante. Mas nada transpareceu dessa relevância política na passagem por Alcobaça. Cair no logro de retomar o lastro "financês" por ser o aparentemente mais fácil (refiro-me aos alegados "cortes" que terão de ser feitos em quinze dias), não augurará decerto nada de bom. E uma "reforma do Estado" não se prodigaliza entre duas viagens ao estrangeiro. Cuidado, pois, com os outdoors.

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