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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Um forte entre fracos

João Gonçalves 20 Jun 13

 

Saudei vivamente, em 2005 a eleição de Joseph Ratzinger como sucessor de Pedro. Acompanhei de perto, neste blogue, o seu pontificado. Divulguei o que me pareceu essencial da mensagem de Bento XVI. A Igreja não é um ajuntamento de prosélitos mais ou menos "optimistas" sobre o tempo  apalhaçado e vazio que corre. Pelo contrário, a Igreja não existe para agradar à maioria ou para perpetrar espectáculos de rua - existe para confirmar os seus seguidores na fé mesmo (ou sobretudo) que isso implique "viver" em minoria ou em absoluta solidão. Numa circunstância ou na outra, subsiste a comunhão espiritual que institui, como sempre instituiu, a Igreja sem qualquer necessidade de esta se parecer com um conjunto pop "globalizado". É esse o cerne da fortaleza erguida a partir da pedra que Jesus apontou a Pedro. A Sua Igreja não se confunde com uma stand up comedy. Bento XVI nunca cedeu ao populismo. A sua altiva timidez, o seu rigor teológico e filosófico, a sua fidelidade à razão eram porventura incompatíveis com o "festim nu" de uma sociedade sem rumo à vista. Deus comanda a esperança contra toda a esperança, na expressão feliz de João Paulo II, mas Ratzinger nunca alimentou ilusões ou ambiguidades em relação à natureza humana. Retirou-se do mundo quando sentiu que servia melhor a Igreja oculto dele. Não foi, como muitos tolos julgaram então, um sinal de fraqueza. Representou, antes, um sinal de uma força enorme. Oxalá o Papa Francisco consiga, um dia, estar à altura desse extraordinário sinal.

Uma explicação

João Gonçalves 20 Jun 13

 

Antes de prosseguir, uma declaração de interesses: sou um dos que não receberá o subsídio de férias em Junho. Dito isto, o Presidente da República já garantiu, pela promulgação do diploma legal respectivo, que os subsídios de férias de trabalhadores e pensionistas do sector público, que recebem valores brutos superiores a mil e cem euros, só vencem lá para Novembro, uma altura boa para ir investir algures numa outra economia onde haja Verão. Admiro-me que o Presidente - que noutras ocasiões promulgatórias menos social e economicamente constrangedoras não se privou, e bem, de acompanhar o acto de uma nota ou mensagem - não tenha anexado à promulgação uma mesmo que pequena explicação. Na antevéspera do acto, afirmou publicamente que "era costume" os ditos subsídios serem pagos em Junho. E tanto "era costume" que alguns organismos públicos já o haviam processado e pago (v.g. a CLM e muitas autarquias de várias "cores" políticas). O que quer dizer que, entre hoje e os primeiros dias da próxima semana, vão coexistir situações díspares nesta matéria: trabalhadores de serviços públicos com subsídios, trabalhadores de serviços públicos sem subsídios e trabalhadores de serviços públicos com algum subsídio. Isto para não mencionar os trabalhadores do chamado sector privado que receberão normalmente os seus subsídios de férias. Pelo menos a segurança jurídica, ou o sentimento jurídico colectivo para recorrer a um velho jargão do Direito, merecia outro tratamento.

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Salva-se a tábua

João Gonçalves 20 Jun 13

D. António – Por esta salvação de todos nós…
Que salvação é essa? Num naufrágio
salva-se a tábua a que se agarram náufragos?
Flutua longamente… porque é tábua.
E sou tão frágil eu, nesta aventura,
que só por ambição ainda flutuo…

 

O Indesejado, Jorge de Sena, 1945-1951

 

 

«Subitamente descobriu-se um país de famílias “angustiadas”, de estudantes “nervosos”, de “ansiedade” por todo o lado. Um exército de psicólogos e de psiquiatras deve mobilizar-se sempre que há exames, porque os frágeis estudantes (os mesmos frágeis estudantes a quem se pode perguntar o que é que eles fazem aos professores e entre si durante todo o ano) estavam todos deprimidos.»

 

José Pacheco Pereira, Sábado

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