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portugal dos pequeninos

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Na pequena noite da vida humana

João Gonçalves 19 Jun 13

Depois de um agradável fim de tarde na apresentação do livro da Bárbara Guimarães, já em casa e após o habitual momento de guerra civil do binómio homem/cão - que termina, para o segundo, com a medida de coacção mais leve, "termo de identidade e residência" -, assisto à entrevista do prof. Poiares Maduro a Judite de Sousa. Gostei de o ver falar nas "diferentes sensibilidades" que se movem no Governo, na intenção de "juntar" a administração da RTP e os seus trabalhadores (resta saber se eles se querem "juntar"), de não fomentar separações artificiais no mundo do trabalho, de se empenhar na "coordenação" política do Governo. Ainda o ministro Adjunto não tinha acabado, um zapping rápido permitiu-me dar pela presença, em directo, naquilo que viria a ser uma longuíssima hora de peroração sem interrupções ou perguntas, do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, simultaneamente em 3 canais noticiosos, na qualidade de recandidato a líder do seu partido. Confesso que não prestei a devida a atenção mas a restante deu para perceber duas ou três coisas. O dr. Portas também valoriza aquilo a que já aqui chamei várias vezes de segunda fase da legislatura (ele prefere "novo ciclo político"), menos "austeritária" e mais virada para a vida material das pessoas concretas. O dr. Portas apresentou-se como a "parede mestra" do Governo apesar de se ter "reduzido" retoricamente à sua valia eleitoral. Sem ele, a casa vai abaixo, ou seja, ele "coordena" de facto a manutenção das estruturas da casa. Finalmente, o dr. Portas, numa tradição que vem desde 1978, do velho CDS, mostrou a sua abertura ao "consenso" nem que seja para ajudar a "montar" uma outra casa. Por falar em casas, e depois deste original serão político-televisivo, regresso ao livrinho da Bárbara. Na conversa com Eduardo Prado Coelho, ele pede licença para ler "um bocadinho" de Rosa Montero, A Louca da Casa. Passo a citar. «É que os homens não são apenas mais pequenos do que os seus sonhos. São também mais pequenos do que as suas alucinações. A imaginação desgovernada é como um raio na noite. Queima, mas ilumina o mundo. Enquanto dura esse clarão deslumbrante tentamos espreitar a totalidade. Aquilo que alguns chamam Deus, e que para mim é uma baleia coberta de crustáceos. No fim de contas, talvez Rimbaud não delirasse tanto quando aspirava fundir-se com o divino. Na pequena noite da vida humana, a louca da casa acende velas."

 

Adenda: Depois, graças à famosa "honra nacional" (lembram-se de Sampaio et al em 2004?), também é uma parte de algumas das nossas caras, com vergonha nelas, que recebe a bofetada.

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