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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Pela palavra

João Gonçalves 11 Jun 13

 

Desgosta-me que o Governo com o qual colaboro dê lastro a coisas destas contraditadas inteligentemente no livro da foto. E acompanho estas "perguntas&respostas" porque, como escreveu Jorge de Sena em carta a José Régio, «eu contento-me sempre com apontar as contradições aparentes. A minha preocupação constante, quando escrevo, é não ferir ninguém pelo silêncio; tenho e sei como e porquê, ferido muita gente, e espero ainda ferir mais alguma: sempre, porém, pela palavra.» Pela palavra escrita em português, entre outros, por Sena e por Régio.

"Ser português"

João Gonçalves 11 Jun 13

 

Com o Henrique Monteiro. «Não tenho orgulho especial em ser português. Não vejo nisso nada de excepcional em relação a ser Chinês, Francês, Inglês, Brasileiro, Moçambicano ou Neo-Zelandês. Temos uma história comum, muitos de nós somos parentes. Isso não nos torna melhores nem piores. Nem que nos 10 de Junhem a todos! (...) Não tenho orgulho especial em sê-lo, porque não entendo que ser português nos torne melhores do que se fôssemos de outra nacionalidade - na verdade eu não fiz nada para ser português, aconteceu nascer em Portugal de pais portugueses. Outro ponto é que não pus em causa haver um dia de Portugal, mas sim o tipo de mensagem que se transmite neste dia de Portugal.» Sena disse o mesmo, de outra forma, noutro 10 de Junho em 1977: «Um país não é só a terra com que se identifica e a gente que vive nela e nasce nela, porque um país é isso mais a irradiação secular da humanidade que exportou. E poucos países do mundo, ao longo dos tempos, terão exportado, proporcionalmente, tanta gente como este.» E mais. «Ninguém como Camões nos representa a todos, repito, e em particular os emigrantes, um dos quais ele foi por muitos anos, ou os exilados, outro dos quais ele foi a vida inteira, mesmo na própria pátria, sonhando sempre com um mundo melhor, menos para si mesmo que para todos os outros. Ele, o homem universal por excelência, o português estrangeirado e esquecido na distância, o emigrante e o exilado, é em Os Lusíadas e na sua obra inteira, tão imensa e tão grande, a medida do mais universal dos portugueses e do mais português dos homens do universo. Ninguém, como ele desejou representar em si mesmo a humanidade, representar tão exactamente o próprio Portugal, no que Portugal possui de mais fulgurante, de mais nobre, de mais humano, de mais de tudo e todos, em todos os tempos e lugares. Ele é, como ninguém, o homem que viajou, viu e aprendeu. O homem que se sente moralmente no direito de verberar com tremenda intensidade, as desgraças de viver-se e os erros ou vícios da sociedade portuguesa. É o exilado físico de muitos anos mas é, como todos nós, e nisso tanto ou mais o somos que outros povos, o exilado moral, clamando por justiça, por tolerância, por dedicação à pátria, por espírito de sacrifício, por unidade nacional e universal, lá onde via que o homem é, como ele disse mais que uma vez, o “bicho da terra tão pequeno” contra o qual se encarniçam os poderes do mal.»

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