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portugal dos pequeninos

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Humano, demasiado humano

João Gonçalves 9 Jun 13

 

Um amigo, muito impiedoso em relação à vida pública, viu um programa com Pedro Santana Lopes. E, por sms, escreveu: "dá quase vontade de lhe dar uma palmada no ombro - é bom tipo". O José Paulo Fafe corrobora. «Longe dos artificialismos e cinismos tão próprios de tantos que são protagonistas do nosso quotidiano e revelando uma alma própria daqueles que ainda acreditam e entendem o que os rodeia. É esse Pedro Santana Lopes que, se calhar, "assusta" todos quantos possuem da política uma visão egoísta, adulterada e oportunista.» Não vi o programa, confesso. Mas não preciso de ver porque me habituei a estimar o "humano, demasiado humano" que há no Pedro Santana Lopes. Uma estima para ficar. De palmada no ombro.

Canais e conteúdos

João Gonçalves 9 Jun 13

 

Esta semana o ministro adjunto Poiares Maduro pronunciou-se por duas vezes sobre media e, em especial, sobre os media que tutela, a RTP e a Lusa. Foi numa comisão parlamentar e numa conferência da ERC. Nesta, a que assisti, os princípios gerais que enunciou pareceram adequados e não se distinguiram particularmente dos expostos, em diversas ocasiões similares, por Miguel Relvas (afinal, o Programa do Governo é o mesmo). Quanto aos organismos em que o Estado é o único accionista (RTP) ou accionista maioritário (Lusa), o ministro adjunto insistiu na "serenidade" e aguarda que as "reestruturações" em curso correspondam a "planos" que incluam, no caso da RTP, um novo acordo de concessão de serviço público (o da Lusa, de diferente natureza, ainda foi celebrado com Relvas). A problemática do serviço público de rádio e televisão é uma questão de conteúdos como abundantemente se tem escrito ou citado neste blogue. Todavia a empresa RTP sobreleva permanentemente qualquer debate sério sobre a matéria. Poiares Maduro, mais tarde ou mais cedo, acabará por ter de enfrentar este nó górdio agora que o regime, em peso, concordou em manter a "galáxia RTP" indemne. A CAV não deixa de ser uma substituição tributária pelo que, mesmo sem indemnização compensatória, são os contribuintes que a custeiam como bem nota Eduardo Cintra Torres: «em geral, as oposições, em democracia, queixam-se do aumento de impostos, mas a portuguesa quer mais impostos para financiar a RTP só porque sim, sem ter qualquer ideia que o justifique.». Em suma, «é por causa da insatisfação generalizada com os conteúdos realmente apresentados pela RTP que se está sempre a discutir o seu "futuro": esperamos sempre que venha a fazer verdadeiro serviço público, e ficamos sempre à espera. Se o ministro não encontra maneira, com o parlamento e a sociedade, de dar a volta ao problema dos conteúdos, podemos esperar sentados, pagar a taxa sem pensar no assunto e mudar de canal.»

 

 

Adenda: Entretanto no telejornal da referida RTP, dirigido por Cristina Esteves, passou uma peça sobre a falência de quatro farmácias hospitalares, um dos muitos ex libris do eng. Sócrates que apareceu em imagens de arquivo nas inaugurações das ditas. Serviço público, por exemplo, seria Cristina Esteves aproveitar a presença do comentador José Sócrates no fim do seu telejornal e colocá-lo a comentar-se a si próprio a propósito deste tema. Uma coisa que perpetra, aliás, com notável desenvoltura.

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Questões de legitimidade

João Gonçalves 9 Jun 13



«A esquerda e algumas notabilidades do PSD andam por aí a espalhar uma ideia perigosa: a ideia de que um Governo deve ser substituído quando cria um grande descontentamento público (desce nas sondagens, por exemplo, ou é vaiado a cada canto da província). Ou seja, quando perde a legitimidade de exercício. Ora, a legitimidade de exercício era precisamente o que a Ditadura invocava para justificar a sua existência e a sua longa duração. Marcelo, principalmente, insistia muito nesse ponto. Se o povo estava contente, não havia qualquer razão para mudar, nem, como é óbvio, para fazer eleições. As coisas falavam por si. Que o radicalismo resolva hoje recorrer ao mesmo tipo de argumento (embora em sentido inverso) não tranquiliza ninguém e dá uma impressão, de resto falsa, da fragilidade da lei e do Estado. Isto mostra bem como os portugueses não aceitaram, nem ainda se conseguiram adaptar a um regime representativo. Do Senhor D. João VI, por graça de Deus, rei de Portugal e do Brasil, até à remoção da tutela militar sobre a democracia, nenhum Governo foi legítimo, pela simples razão de que não tinha legitimidade de origem. O Senhor D. João VI retirava a sua directamente do Altíssimo, a democracia, depois da primeira revisão constitucional, retirava a sua do sufrágio popular e universal. Pelo meio passou uma infinidade de usurpações, de “revoluções” e de eleições falsificadas. O respeito e o “nojo” pelos políticos, que não desapareceu, começou aí: a população letrada não lhes reconhecia o menor direito de falar por ela e não ignorava o caminho de oportunismo e de sabujice que os levara ao Parlamento e ao Governo. A legitimidade de origem de Passos Coelho e de Paulo Portas não é duvidosa. Recomendar a sua expulsão pelo excelentíssimo dr. Cavaco abriria um precedente letal. Se Cavaco aceitasse esta louca lógica, dali em diante nada impediria que uma manifestação ou uma assuada chegassem para liquidar um Governo. E, se não chegassem, um tiro ou um ou outro espancamento bastariam. Pouco a pouco, o verdadeiro poder acabaria por se transferir para pequenos grupos de activistas (sem unidade ou programa), capazes de encher a Av. da Liberdade, o Rossio ou Terreiro do Paço. O Presidente ficaria reduzido a convocar eleições sobre eleições ou até a engolir o resultado do último tumulto. Não percebo por que motivo esse belo sistema beneficiaria a esquerda ou as notabilidades do PSD que hoje colaboram com ela. A seguir a Passos Coelho e a Paulo Portas seriam elas, com certeza, as vítimas designadas. Tudo se paga neste mundo.»


Vasco Pulido Valente, Público

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