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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Uma vantagem

João Gonçalves 8 Jun 13

Está em curso uma fronda estúpida contra Francisco José Viegas por causa de alegadamente, enquanto responsável político pelo sector da cultura, ter "autorizado" a saída do país de um quadro classificado que, por acaso, pertencia a um privado. "Especialistas" de diversas proveniências e estirpes não páram de derramar pelos jornais, e o seu sucessor já prometeu uma "investigação" para os sossegar. De quando em quando há destes acessos em torno do património cultural sobretudo se o proveito maior for, não a sua preservação real, mas sim ferver alguém em lume brandinho como é apanágio da condição trágico-burlesca da nossa terra, parafraseando Gaspar Simões. Ou Tom Sharpe, lido por Viegas. «As pessoas demasiado correctas não gostavam dele. Uma vantagem.»

O passado neste presente

João Gonçalves 8 Jun 13

 

Até o tempo deixou de ser confiável. Dantes - e este "dantes" remonta apenas a uma meia dúzia de anos - havia primavera e outono, duas estações amenas que praticamente desapareceram. Agora oscila-se entre tempo de verão ou de inverno, dentro do que antigamente era primavera ou outono, e passa-se, sem dar por isso, entre ambos em meras horas e dias. Na feira do livro, por exemplo, escondi-me ontem à tarde de uma chuva pouco branda numa tenda dita de pequenos editores onde repousavam restos mortais de antigos grandes editores como a Guimarães. Por 4,9 euros, trouxe a primeira Agustina, prefaciada por Pascoaes, a novela Mundo Fechado. Anteriormente tinha ido por meia dúzia de alfarrabistas, na prática só o que me interessa ali. Mais dez cêntimos e sobreveio a correspondência Sena-Régio, publicada em 1986 pela INCM, e que esta dá, como a muitas obras suas, por esgotada. Quando, temo, as tenha para lá escondidas (ou destruídas ou por destruir) e que pertencem a um acervo bibliográfico notável de coisas nossas. Os preços actualmente praticados pela INCM, atenta a natureza da empresa, dra. Maria Luís Albuquerque, são pornográficos. É por estas e por outras que estas palavras de Eduardo Prado Coelho - que frequento com assiduidade - se aplicam perfeitamente à "estranheza" em vigor. «Sentimos que aquilo que para nós fazia sentido deixou de fazer sentido para os outros, e que as tentativas de manter um discurso lúcido, de prazer e inteligência das coisas e da vida, parece irremediavelmente condenado por um formato obrigatório que tudo tritura e tudo desrespeita. Descobrimos que o passado não é o que deixou de existir; existe, sim, senhor, bem perto de nós: porque nós somos hoje o passado neste presente em que não nos reconhecemos.»

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