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portugal dos pequeninos

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Uma questão de adultos

João Gonçalves 7 Jun 13

A anunciada greve dos professores a exames e a avaliações representa o regresso da instabilidade às escolas. Depois de nos últimos anos se ter privilegiado os "direitos" de toda a gente envolvida - alunos (que batem nos professores) , pais dos alunos (que entravam nas escolas para igualmente bater nos professores), professores, sindicatos - e desprezado a disciplina, o pilar do funcionamento de uma escola, com a consequente desautorização da figura, igualmente essencial, do professor, parecia que as coisas tinham atingido alguma moderação e algum equilíbrio. O poder político que precedeu o actual começou bem e acabou pessimamente nesta matéria. Confundiu uma classe inteira com uma nomenclatura sindical profissionalizada. Contribuiu para lesar a preeminência e a autoridade do professor na aula. Até o computador o precedia e, se fosse preciso, o anulava. Por consequência não aprecio o argumentário das "coitadinhas das criancinhas que não podem fazer exames". Não é por aí. Os professores (e os alunos) fazem parte de uma realidade mais complexa que tem a ver com a qualificação geral do país. Não pode ser resumida a uma questão de mercearia com cada um dos lados a usar o lápis que traz na orelha. Na tropa aprendia-se que há deveres e direitos e que aqueles precedem estes. Na escola também é preciso começar por aí em vez de se instaurar um novo "eduquês-financês" politiqueiro pejado de "professores coitadinhos" e de "alunos coitadinhos". É tempo de tratar isto como adultos.

Feira de inocentes

João Gonçalves 7 Jun 13



«Desde o princípio, o maior erro deste Governo foi não ajustar contas com o passado, a pretexto de que não queria perder tempo com velhas querelas. Por assim dizer, apagou a responsabilidade de toda a gente que tinha levado Portugal à situação desesperada de 2011. O nosso coração é bom e muito inclinado a não tocar no sossego e no bom nome do próximo. É um coração de ouro que não gosta de afligir ninguém. E, como não gosta, os portugueses ficaram sem saber ao certo como se acumulou a enorme dívida, soberana e outra, que nos sufoca; quem deliberadamente a fez por sua própria força e autoridade; e que espécie de razões presidiram ao exercício (corrupção? oportunismo eleitoral? incompetência? puro desleixo?). A julgar pela televisão e pelos jornais parece que um castigo do Altíssimo se abateu sobre nós para nos punir de inconfessáveis pecados. Entretanto, cai interminavelmente do céu uma chuva de números, que de resto mudam dia a dia e em que o cidadão vulgar deixou de acreditar. Durante o glorioso mandato deste Governo, os portugueses, pelo menos, conseguiram aprimorar a sua educação cívica, que se resume numa frase: não devemos confiar em nada e contar com nada. Um ministro pode perfeitamente decidir isto ou aquilo e, em meia dúzia de horas, decidir exactamente o contrário. O primeiro-ministro ora nos garante a felicidade para depois de amanhã, ora um futuro de miséria para 30 anos. Os profetas-comentadores, deliciados de se exibirem e subitamente sem excepção com uma licenciatura em Economia, discutem o extravagante dr. Gaspar, ou a iminência do apocalipse, ou a urgentíssima necessidade do “crescimento”, que se tornou um fenómeno tão mítico como um unicórnio. E nós continuamos passivos no meio desta feira de inocentes, sem a menor ideia do que nos vai suceder. Mas sem queixas. Portugal é o país da impunidade.»

 

Vasco Pulido Valente, Público

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